Ideologia (conservadora) de gênero: modos de enterrar – Pá de cal

Um dos motivadores do coletivo Resista! – Observatório de Resistências Plurais na sua intenção de agir contra a supressão de direitos civis, sociais e humanos é desenvolver reflexões que tenham o humor como um de seus fundamentos. O senso de humor nos guiou na maneira de dividir a primeira série que o blog divulga: cavar sete palmos na terra para enterrar uma maneira conservadora de pensar e reproduzir o conceito de gênero. Ao final, jogar uma pá de cal sobre o assunto para não feder, para dar o assunto como resolvido.

Usar o humor contra fanáticos é uma das propostas estratégicas do escritor israelense Amós Oz. Sabemos que apenas o humor não é suficiente. E que também dar esse assunto como resolvido não é a questão aqui. Este assunto ainda perdurará por longo tempo…

Mas a intenção foi tentar detalhar alguns elementos mais emergentes e urgentes de uma ‘ideologia (conservadora) de gênero’: quem a sustenta; como ela é sustentada; a presença dos think tanks como estruturadores desse pensamento; a presença ativa de dois campos sociais na sua formulação – o religioso cristão e o político-partidário –; suas interseções com o ambiente escolar, com o racismo, com os direitos sexuais e reprodutivos; o reforço dos processos de misoginia/sexismo e de estigmatização da população LGBTQUIA.

Uma ‘ideologia (conservadora) de gênero’ é muito mais difusa, porosa e tóxica do que estamos habituados a pensar ou tratar. Cabe a nós encontrarmos um antídoto para essa toxicidade. Sem dúvida, um dos antídotos é o debate, a troca de informações, o aprofundamento desse tema. A abertura para a discussão sobre um conceito mais atual, inovador e progressista de gênero é uma conquista de uma parcela da sociedade interessada em construir um modo de vida mais igualitário, mais respeitoso com a diferença e a diversidade.

Precisamos avançar nessa discussão. Um modo de fazer isso é revirar o conceito conservador pelo avesso. É expor as entranhas do conceito e de quem o defende. O desafio que nos cabe é mapear e expor quem patrocina esse tipo de visão, quem banca esse pensamento retrógrado, quem incentiva a “queima de bruxas”. Já não basta mais dizer que são os religiosos, a bancada X, os empresários, a direita, a classe média… Do genérico, todos nós sabemos. E o genérico tende ao vazio.

Nossa pá de cal agora deve ser simbolizada por uma denúncia e visibilidade mais constantes, com informações claras e significativas, do perfil dos principais nomes de instituições e de pessoas que lideram aquela ideologia conservadora. É buscar identificar suas táticas e estratégias que geram e cristalizam o pânico moral na população pouco esclarecida.

É isso o que nos resta fazer. E não é pouca coisa!

Assinaturas-Luiz

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