Censura a lésbicas no Instagram

A luta de uma família de lésbicas contra a homofobia em série foi viralizada.

A censura a essa foto de uma família homoafetiva espanhola no Instagram encorajou outros casais a partilhar seu modelo familiar na rede social.

família homoparental Têtu 2

Uma breve olhada na conta do Instagram de Jane, cabelos curtos, e de sua esposa Verônica, blogueira na área de culinária (visite a conta Oh! Mami blue), significa mergulhar em uma terapia reparadora. Uma série de fotos que empresta a qualquer dia insípido suas cores, decoração e criações culinárias apetitosas. Sim, a pequena família dessas duas espanholas transpira felicidade, com as covinhas de sua criança querida misturadas ao creme de seus bolos (que são, sem dúvida, tão fofos quanto saborosos).

Mas as duas encontraram uma maneira de serem ainda mais geniais no meio digital. No começo do mês, essas mães de família lideraram uma batalha contra o Instagram. A história remonta à publicação de outro exemplo de perfeição fotográfica: um retrato delas com o filho Alex nos braços. Os três estão nus, mas o edredom evita qualquer vergonha. Uma linda foto de família. E mais ainda, de família homoafetiva, pois Verônica sabe do papel de modelo que ela reassumiu junto à comunidade LGBT, dizia a um webzine espanhol, em particular com relação aos casais de mulheres que recorreram ao PMA[i].

família homoparental Têtu 1

Como é frequente nesse caso, e de acordo com o relato feito à BuzzFeed espanhola, a foto de família foi partilhada em seguida por uma outra conta do Instagram com 200.000 seguidores. Mas, então… tchan, tchan, tchan: a plataforma decide suprimir o conteúdo. As duas mulheres contra-atacam, encorajam a difusão de sua querida foto e questionam o Instagram por meio de sua história: “Tudo que vejo aqui é apenas o amor. E você?” Entusiasmadas, elas dão novo fôlego a uma hashtag que já existia, #yosoloveoamor, mas ainda assim essa iniciativa foi censurada pelo Instagram.

Em seu site, o Instagram conceitua como nudez “relações sexuais, órgãos genitais ou planos muito focados em nádegas inteiramente expostas”, mas se revela mais rigoroso com fotografias que mostram crianças “nuas ou parcialmente nuas”, as quais podem ser removidas. Verônica privilegia na BuzzFeed uma avalanche de relatos de internautas homofóbicos, sem, no entanto, evitar a censura humana: “Compreendemos que as pessoas relatem isso e que isso é a resposta imediata do Instagram, mais deve haver alguém por trás que determina o que é removido e o que não é. Tenho certeza de que o Instagram tem pessoas que trabalhem exclusivamente com essa função.”

Não importa: a família lança uma segunda hashtag, #borraigdehomófobos (“suprimamos os homofóbicos do Instagram”), que viralizou de novo. De agora em diante, as duas contas são livremente alimentadas e consultadas. Com uma infinidade de casais ou pais homossexuais, estabelecendo suas famílias bem reais em um mural digital em apoio a Jane e Verônica.

 

Reportagem de Julie Baret, publicada na revista francesa Têtu em 14 de dezembro de 2017.

[i] Programa do governo francês que oferece auxílio às mulheres (independente de se saber a orientação sexual delas) que queiram ter filhos por meio de processos considerados não naturais.

Tradução: Luiz Morando

Assinaturas-Luiz

 

 

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