Inventário do desgoverno (1)

– Na segunda-feira, 29 de outubro, Bolsonaro assumiu a máscara de Donald Trump com relação à imprensa. Trump é conhecido pela briga aberta contra a parcela da imprensa que não o apoia, chamando de mentirosa, impedindo sua presença em coletivas do governo… Sobre o jornal Folha de S.Paulo, JB declarou: “Não quero que acabe (o jornal), mas, no que depender de mim, imprensa que se comportar dessa maneira indigna não terá recursos do governo federal. (…) Por si só, esse jornal já se acabou.” Ele se referia à reportagem que o jornal paulista publicou, na quinta-feira anterior à eleição, sobre o caixa 2 na campanha de Bolsonaro a partir de compra de pacotes de mensagens para divulgação pelo WhatsApp, bancada por empresários. Ou seja, tchau, tchau, liberdade de imprensa.

– Aliás, ainda na segunda-feira Donal Trump demonstrou interesse em estreitar relações comerciais com o Brasil e ampliar a cooperação militar. É pra ficar de olho…

– Logo após a divulgação do resultado pelo TSE, Bolsonaro falou: “Nossos ministérios não serão compostos por condenados por corrupção.” Dois dias depois corria solto pela imprensa uma possível indicação do deputado Alberto Fraga, líder da bancada da bala, para ocupar um ministério. O deputado tem condenação a quatro anos e dois meses, em regime semiaberto inicialmente, por crime de concussão. A chiadeira dos eleitores arrependidos começou.

– Embora aparentemente não demonstre interesse em colocar algum deputado federal eleito pelo PSL para concorrer à presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro/2019, Bolsonaro tem interesse que seja eleito um potencial aliado. Já lançou quatro balões de ensaio, entre os quais o delegado e pastor ultraconservador João Campos (PRB-GO, ex-PSDB-GO).

– Pretensão de reduzir o número de ministérios com a intenção de reduzir gastos com a máquina do Governo Federal.

Fazenda, Planejamento e Indústria, Comércio Exterior e Serviços foram fundidos no Ministério da Economia, entregue ao general da banda Paulo Guedes.

Ciência e Tecnologia deverá receber a parte relacionada ao Ensino Superior do Ministério da Educação. Também já tem dono: o astronauta Marcos Pontes.

Justiça, Segurança Pública, Transparência e COAF foram fundidos no Ministério da Justiça e Segurança Pública. O juiz bom moço Sérgio Moro ficou com a prenda, contradizendo-se: “Eu jamais vou entrar para a política.”

Duas grandes polêmicas foram sobre a fusão de Agricultura e Meio Ambiente e a fusão de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. A primeira fusão é paradoxal e está em um circuito de ida e vinda indefinido. A segunda fusão servirá para alocar o senador não reeleito e pastor Magno Malta (que recusou lá atrás o convite para ser vice-presidente na chapa do capitão) no ministério de Bolsonaro, correndo o risco de passar a se chamar Ministério da Família.

– O burburinho sobre o retorno da CPMF, que atravessou toda a campanha do segundo turno, voltou a esquentar. Bolsonaro desautorizou na sexta-feira (2) qualquer intenção a esse respeito.

– Na política internacional, já atuou como elefante em loja de cristais: ameaçou rompimento diplomático com Cuba; criticou a política comercial com a China (que já mandou recado avisando para baixar o tom); indicou que transferirá a Embaixada brasileira de Telavive para Jerusalém, em Israel, tornando-se a terceira nação do Ocidente a fazê-lo.

– Começaram a desenterrar alguns projetos da pauta da Câmara de Deputados, principalmente o do Escola sem Partido. E assim, a pauta conservadora vai revelando seu apetite e garras.

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