Inventário do desgoverno (2) – Terra indígena, Economia, Enem, Agricultura…

– “No que depender de mim, não tem mais demarcação de terra indígena!” – declaração do capitão eleito Jair Bolsonaro ao programa Brasil Urgente, na TV Bandeirantes, na segunda-feira (5). Para ele, as reservas já são “superdimensionadas” e “não tem como mexer mais”.

– Algumas propostas nas quais ele voltou atrás, conforme o site aosfatos.org:

* redução do número de ministérios de 29 para 15; agora já são de 29 para 18;

* a dança entre o Ministério da Economia e o da Indústria e Comércio: anunciou a fusão, voltou atrás e agora volta a mencionar a fusão;

* a Controladoria Geral da União seria incorporada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública; agora não será mais;

* Paulo Guedes, ministro da Economia, desmentiu explicitamente seu presidente eleito sobre declarações quanto à politica cambial e o pagamento da dívida pública.

– Após a repercussão das provas da 1ª etapa do Enem, sobretudo a questão envolvendo a linguagem pajubá, o capitão eleito fez a seguinte declaração ao vivo em rede social: “Essa prova do Enem, vão falar que eu estou implicando. Agora, pelo amor de Deus. Esse tema da linguagem ‘particulada’, aquelas pessoas, o que isso tem a ver? Vai estimular a molecada a se interessar por isso agora. No ano que vem, pode ter certeza, não vai ter questão dessa forma. Nós vamos tomar conhecimento da prova antes.” Ou seja, censura e correção à vista no futuro Ministério da Educação.

– O capitão eleito formou sua equipe de transição e incluiu nela um dos donos da AM4, Marcos Aurélio Carvalho, o maior prestador de serviços de sua campanha. Ele é suspeito de ter comprado impulsionamento de conteúdo na internet no valor de R$535 mil. Dois dias depois, Carvalho foi exonerado da equipe.

– Na quarta-feira (7), anunciou a extinção do Ministério do Trabalho, criado em 1930.

– Também na quarta (7), anunciou a nova ministra da Agricultura: a deputada federal Tereza Cristina da costa Dias (DEM-MS), inaugurando a quebra da promessa de montar uma equipe eminentemente técnica. Tereza Cristina confirmou relação estreita com a JBS.

tirinha agrotoxico

– Aliás, demonstrando que era apenas ‘gogó’ a fala de antipolítica, Bolsonaro já começou uma aproximação com o Democratas, que já começa a se manifestar com muita desinibição como ‘fiador’ do novo governo.

– Militares apresentam sua fatura: na quinta-feira (8), o Alto Comando reuniu-se com o capitão e Paulo Guedes para apresentar proposta de reforma da Previdência da corporação. Tal reforma seria atrelada a um ponto central: o reajuste dos salários dos generais de mais alta patente, que teriam o soldo (atualmente em torno de R$26 mil) equiparado ao vencimento de ministros do STF (atualmente reajustado para R$39 mil), gerando um efeito cascata para as patentes inferiores. A partir daí, três pontos seriam alterados: ampliação do prazo de permanência na ativa e ampliação da contribuição para 35 anos; idade mínima de 55 anos para aposentadoria; contribuição previdenciária estendida a cabos, soldados, alunos de escolas preparatórias e pensionistas.

– O pseudofilósofo Olavo de Carvalho se ofereceu para ocupar cargo diplomático nos Estados Unidos e o cirurgião plástico Robert Rey se ofereceu para ministro da Saúde. Realmente, é para ser incorporado à mitologia do ‘mito’.

– Demonstrando prévia incapacidade de negociar com o Congresso, não conseguiu dialogar com senadores e impedir a aprovação de aumento salarial para ministros do STF. Esse episódio já serviria como demonstração de atitude para conversar

– Confirmando o DNA autoritário da família, o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) declarou na segunda-feira (5): “A gente sabe como vai ser a posição da esquerda. Eles já falaram que vão desestabilizar. Acho que no 1° de janeiro já tem pedido de impeachment para ser impetrado. Então, com esse tipo de oposição, não tem como dar ouvidos, é tratorar.”

– Aliás, é mal de família mesmo: há algum tempo, os filhos adotaram abertamente o discurso de Donald Trump e declaram seguidamente que o que é chamado de mudanças climáticas é uma farsa!

– Outro com viés autoritário, o futuro ministro da Defesa, general Augusto Heleno mencionou a necessidade de ‘desratizar’ a máquina pública.

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