Inventário do desgoverno (4) Educação, devastação, privatização…

Apenas o anúncio, na semana que passou, do nome do ministro da Educação já seria o bastante, desde o dia 28 de outubro, para afirmar que o governo do capitão eleito será desastroso em vários níveis. E a gente vai assistindo à esperança se desidratando pouco a pouco.

“Também sou réu no STF, e daí?” – Ele realmente não tem papas na língua, não é? Frase que saiu da boca de Jair Bolsonaro quando questionado sobre a suspeita de corrupção que envolve a deputada Tereza Cristina (DEM-MS), indicada a ministra da Agricultura. Ela é acusada de conceder incentivos fiscais à JBS, enquanto mantinha parceria pecuária com a empresa e quando era secretária do Agronegócio de Mato Grosso do Sul. Ela declara ter adotado políticas de governo.

Roberto Castello Branco é designado presidente da Petrobras. Discurso desafinado com Jair Bolsonaro quanto à privatização da empresa: o capitão quer privatizar uma parte; o indicado não quer privatizar nada.

Ernesto Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores,afirma que buscará “falcatruas” cometidas por Celso Amorim, ministro da mesma pasta no governo Lula. Eles são obcecados pelo governo Lula!

O PSL, partido do capitão, demonstra ciúme por não ter sido escalado para o ministério. Por outro lado, o DEM aproxima-se mais ainda do governo ao ter a indicação de Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) para a pastada Saúde. Aliados reclamam da fatia do DEM (já são três ministros), e a bancada do PSL chia.

Bolsonaro insinua que não deverá seguir a lista tríplice na escolha do próximo Procurador Geral da República, em setembro de 2019.Novo comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, declara que o período de ditadura militar (1964-1985) é tratado com preconceito e desinformação devido à doutrinação na análise do país.

John Bolton, assessor de Segurança Nacional de Donald Trump, confirmou viagem ao país na próxima semana para discutir “interesses bilaterais” com Bolsonaro. Aos poucos vai ficando claro o laço armado pela política externa estadunidense.

A novela do ministro da Educação: Bolsonaro indicou Mozart Neves, mas a bancada evangélica detonou a escolha por meio de ação orquestrada por Silas Malafaia, ameaçando desembarcar do governo. JB então desejou apontar Guilherme Schelb, aliado do projeto Escola sem Partido. No entanto, para surpresa de todos, acabou sendo anunciado o colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodríguez. Desastre total: ex-marxista e crítico do governo Lula. Rodríguez já anunciou que combaterá o uso político-partidário da escola e preservará os valores ligados “à família e a moral humanista” (seja lá o que tudo isso queira dizer).

Luiz Antônio Nabhan, presidente da União Democrática Ruralista (UDR), ocupará a Secretaria Especial de Assuntos Fundiários. Ele já anunciou que sua principal finalidade será acabar com “favelas rurais”, modo como se referiu aos assentamentos considerados improdutivos do MST.

Dono da Localiza, empresário Salim Mattar, ocupará a Secretaria de Privatizações a ser criada dentro do Ministério da Economia.

O capitão paladino contra a corrupção teve a intenção de indicar seu filho Carlos para ocupar a Secretaria de Comunicação. Chegou a mobilizar advogados para estudar o caso, mas voltou atrás com receio de ser acusado de nepotismo. Consciência do erro ele já tinha.

O Vice-Presidente Hamilton Mourão monitorará os principais projetos da gestão de Bolsonaro por meio de um centro de governo a ser criado. Aliás, nem bem tomará posse, já ocupará interinamente a presidência para que o capitão possa se submeter a uma cirurgia. Começaremos 2019 governados por um general.

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