Segundo escalão e eleições no Congresso

Na semana que passou, o (des)governo Jair Bolsonaro deu início, de forma mais explícita, às ações de montagem do segundo e terceiro escalões da máquina administrativa e às estratégias para influir (mesmo que isso seja negado, como de hábito) na eleição para presidente na Câmara Federal e no Senado.

Vamos ver algumas dessas ações, entre outras:

– a Previdência Social é o bode expiatório há anos para explicar o crescente déficit público no país. Então, nada melhor que dar continuidade a essa propaganda anunciando um ‘pente-fino’ (tática antiga de demonstrar ímpeto administrativo e investigativo para apontar por qual ralo o dinheiro público escorre) nos benefícios pagos pelo INSS e insistir em apresentar ao Congresso um projeto de reforma da Previdência. O tal ‘mercado’ agradeceu, fazendo a Bolsa de Valores subir.

– A passos de lesma, o Ministério Público Federal anunciou, no início da semana, que o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi fiador de uma ‘firma de prateleira’ (negócio suspeito para esconder fraude). A notícia causou pequeno alarde, mas por enquanto ficou por isso mesmo. A impressão que dá é que aos poucos a imprensa vai anunciando os pontos frágeis do governo em caso de futura derrocada e necessidade de “pressionar” a administração. Esse filme já foi rodado algumas vezes.

– O capitão segue convencido da necessidade de liquidar a Justiça do Trabalho e prometeu medida nesse sentido, mesmo tendo sido alertado pela Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público de que a medida é uma violação à independência dos Poderes.

– Ficou acertado que o capitão não dará mais notícias em primeira mão sobre mudanças na economia. A vergonha passada depois do anúncio de aumento do IOF e de redução da alíquota do IR calou fundo nesse governo despreparado. Nesse sentido, ele se torna refém de Paulo Guedes e de Onyx Lorenzoni. Mas as bravatas ficam ainda liberadas pelas redes sociais.

– Presidenta do IBAMA, Suely Araújo, pediu exoneração após postagens inaceitáveis feitas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a respeito de aluguel de carros para o órgão.

– Na Câmara de Deputados, o PSL negociou apoio à (re)eleição de Rodrigo Maia (DEM) à presidência da Casa. O alinhamento é mais do que natural: o DEM tem quatro ministros e o PSL precisa do grupo que vota com o DEM para obter relativa maioria na Casa. Teve início explícito ao ‘toma lá, dá cá’ da Nova Era.

– O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, ganhou a atribuição de “supervisionar, coordenar, monitorar e acompanhar as atividades” de ONG e organismos internacionais para melhorar resultado dessa organizações. Quantas intenções puras, distantes do olhar fiscalizatório, interventor e punitivo…

– Os processos de desapropriação de terras para reforma agrário, em andamento no INCRA, foram suspensos no dia 8 de janeiro. Ordem direta do capitão, cumprida pelo Ministério da Agricultura, para onde o INCRA foi deslocado. No dia 9, o capitão recuou: afinal, este é o seu estilo de governo – avança e recua, fala e é ‘desfalado’, vai e volta.

– O problema é que isso contamina a equipe de ministros: Ricardo Vélez recuou das mudanças anunciadas por edital para os livros didáticos e as atribuiu ao governo Temer. A intenção era liberar os autores de manuais didáticos de apresentar referências bibliográficas e não desenvolver conteúdo pertinente à agenda de não violência contra as mulheres e a promoção de culturas quilombolas e de povos do campo.

– O deputado federal Eduardo Bolsonaro assumirá o ‘rosto público’ a favor da campanha pelo porte de armas. Já foi anunciada a intenção de flexibilizar a posse de armas por decreto. O passo seguinte seria o porte. Na verdade, a intenção é acabar com o Estatuto do Desarmamento.

– Nova denúncia sobre Onyx Lorezoni: recebeu R$317 mil em verbas de gabinete da Câmara Federal, entre 2009 e 2018, lavando o valor por meio de 80 notas fiscais de uma empresa de consultoria. Isso é que é montagem técnica de gabinete, táoquei?

– E o filho do vice-general da República assumiu posto de assessor especial do presidente do Banco do Brasil: Antonio Mourão ganhará R$36 mil.

– E o Fabrício Queiroz e o Flávio Bolsonaro continuam enrolando o Ministério Público Federal…

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