Um caso de assédio no Grindr poderia alterar a política do aplicativo

O Grindr em meio à tormenta. Um nova-iorquino foi severamente assediado por seu ex-parceiro via aplicativo de encontros entre homens. Ele acusa a plataforma de não ter reagido. Um caso que poderia mudar a política do aplicativo.

Matthew Herrick viu sua experiência com o Grindr virar um pesadelo. Após um rompimento difícil, o americano foi vítima de cyber-assédio da parte de seu ex-namorado. Este conseguiu facilmente criar um falso perfil de Matthew no aplicativo de encontros gays, declarando fantasias de BDSM, sexo violento não protegido, estupro, ou ainda uma falsa soropositividade para o HIV. Em decorrência disso, tentou destruir sua reputação com quem viesse a conhecê-lo.

O assédio não parou aí e tornou-se muito mais grave. O ex de Matthew, fazendo-se passar por ele, contatou dezenas de homens por dia, cada um mais bizarro que o outro, e os mandou para sua casa ou o restaurante onde ele trabalha. Uma situação extremamente embaraçosa e que poderia ter se tornado muito perigosa.

O silêncio do Grindr

Mesmo após cerca de cinquenta reclamações no Grindr e 14 boletins na polícia, de acordo com a NBC News (ele obteve um mandado de medida restritiva), o assédio não parou. Matthew Herrick decidiu então, em 2017, prestar queixa não apenas contra seu ex-parceiro, mas também contra o aplicativo devido à sua falta de iniciativa.

Apesar de um primeiro abandono das acusações, Herrick atacou mais uma vez e decidiu buscar justiça contra a plataforma, a quem ele acusa de séria falta de responsabilidade. Se ele ganhar, o Grindr poderá ser forçado a rever completamente sua política de confidencialidade. Outras empresas, como o Facebook ou o YouTube, deverão certamente ter que regular informações que podem ser encontradas em suas plataformas.

Tal processo poderia significar o fim do catfishing? Essa prática, frequentemente utilizada como vingança, consiste em produzir falsos perfis na internet para pegar uma ou mais vítimas.

Não é um caso isolado

Herrick não é um caso isolado. Baseado em um sistema de localização, o aplicativo permitiu que milhões de usuários se encontrassem, mas também algumas pessoas tiveram surpresas desagradáveis. Em 2018, uma jovem foi inocentada após ser acusada de ter armado contra seu professor no Grindr com a intenção de obter fotos dele nu.

O catfishing acaba de ser colocado em uma lista de fatos reprováveis na plataforma de encontros, que se envolveu em outras polêmicas. Em particular, ela tem sido criticada pela associação AIDES por ter veiculado informações pessoais dos usuários, tais como seu status sorológico.

Reportagem de Louise des Places, publicada em 8 de janeiro de 2019 na revista Têtu. Disponível em: https://tetu.com/2019/01/08/une-affaire-de-harcelement-sur-grindr-pourrait-bouleverser-la-politique-de-lappli/

Tradução: Luiz Morando.

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