Uma junta militar e um presidente ventríloquo

Passado (mas não encerrado) o affaire Gustavo Bebianno e sua demissão, a impressão que resta, segundo o jornalista Mauro Lopes, do site Brasil 247, é a de que o capitão Bolsonaro cedeu em comodato o governo a uma junta militar enquistada no Palácio do Planalto: os generais Augusto Heleno Ribeiro Pereira (do Gabinete de Segurança Institucional – GSI), Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Floriano Peixoto Vieira Neto (Secretaria Geral da Presidência). E se não bastasse isso, há a junta familiar-fraterna composta pelos três pitbulls parlamentares Flávio, Carlos e Eduardo. Parece que temos um presidente ventríloquo de generais e dos filhos. As duas medidas iniciais da junta será minorar a desarticulação do governo e enquadrar os filhotes do capitão. Nos poucos momentos em que fala, Bolsonaro pai está lendo (mal) algo previamente escrito, ou está repetindo os clichês de sua campanha ou improvisa uma fala sem sentido.

Perto de alcançar 60 dias de (des)governo, fica a demonstração em pouco espaço de tempo do que a inépcia e a inexperiência podem causar… Nós vamos ficando por aqui com a recordação de algumas medidas muito claras de endurecimento imbecil desse (des)governo.

1. O coronel João Miguel Souza Aguiar Maia, ouvidor agrário nacional do INCRA, distribuiu memorando às superintendências do órgão “recomendando” que seus chefes subordinados não recebam mais entidades ou representantes “que não possuam personalidade jurídica”. É evidente que o alvo é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e que a recomendação representa, na prática, o rompimento do diálogo entre INCRA e MST.

2. A revista Isto É divulgou mais um fato no já famoso caso do laranjal do senador Flávio Bolsonaro: Valdenice de Oliveira, irmã de dois milicianos e tesoureira-geral do PSL-RJ, assinava cheques em nome do senador durante sua campanha.

3. A PEC da reforma da Previdência foi entregue ao Congresso no dia 20. O capitão foi formalmente pressionado pelos presidentes das duas casas legislativas a deixarem a condução do processo de negociação da aprovação da reforma por conta deles. Bolsonaro concordou e estabeleceu como critérios para abrir o balcão de negócios (o famoso ‘toma lá, dá cá’) a entrega de R$3 milhões para cada parlamentar que votar favorável à PEC e três critérios para alojar indicações nos diversos escalões do governo: nomes com perfil técnico, sem pendência na Justiça com aval da Controladoria Geral da União (CGU) e com ‘consentimento’ do ministro da respectiva pasta.

Sobre a reforma da Previdência, veja o vídeo que o Resista! preparou para rodar na quarta-feira.

4. O ministro do Turismo continua encalacrado com as acusações de ter beneficiado candidaturas fantasmas em Mimas Gerais nas eleições passadas. A ala dos militares no governo já começa a pressionar para a queda de Marcelo Álvaro Antônio.

Aliás, esse laranjal já está chegando ao Ceará.

5. O pacote anticrime de Sérgio Moro teve que ser fatiado em três minipacotes para ficar palatável (e mais fácil de ser alterado) para quem vai votar. Um detalhe: o correto e justiceiro ministro mudou sua opinião a respeito do caixa 2, que deixa de ter gravidade de corrupção.

6. Sabem aquele projeto que o vice-general Hamilton Mourão assinou durante o fiasco em Davos do capitão? Aquele projeto que ampliava para funcionários de até terceiro escalão a definição de sigilo sobre documentos do governo. A Câmara de Deputados votou contra. Falta ver como o Senado procederá.

7. O ministério das Relações Exteriores franqueou visto para quatro países, demonstrando que o governo não deixa de ter seu viés ideológico submisso: Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália.

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