Biroliro em seu primeiro giro pelo mundo

Agora é pra valer! Depois do fiasco em Davos (Suíça), em janeiro, o capitão fará seu primeiro giro internacional: chega aos Estados Unidos dia 17 à noite e retorna dia 19 à noite. Depois será a vez de Chile e Israel. Na breve visita de dois dias a Donald Trump, testaremos sua capacidade para se comportar como estadista (!?) fora do Brasil – aqui dentro, já queimou todo o filme possível nesse quesito.

Aliás, aparentemente preocupado com sua imagem internacional – principalmente como um sujeito misógino, machista, xenófobo, racista, lgbtfóbico –, o capitão já sinalizou a troca de vários embaixadores que supostamente ajudariam a melhorar sua imagem. O problema é que ele, enquanto não ganhar consciência de que realmente tem todos aqueles maus atributos e não persistir para mudá-los, não haverá embaixador com equipe diplomática que alterará isso.

Por falar nisso, é cada vez mais clara a administração burocrática e problemática que Ernesto Araújo faz no Ministério das Relações Exteriores, deixando as iniciativas estratégicas para o grupo militar que o tutelou e para o filho-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que passou a ter influência direta na política externa do país. Com isso, parece que vão ficando mais claras as áreas que a famiglia Bolsonaro pretende ocupar de maneira feudal: relações internacionais/Eduardo; comunicações/Carlos; segurança pública/Flávio. O pai, como bem revelou Ascânio Saleme em O Globo de domingo (17), deseja ampliar a ação de militares na vida política: aumentar o número de filiações de militares a partidos políticos e estimular um número grande de candidaturas para eleger vereadores e prefeitos militares nas eleições de 2020 (cf. <https://oglobo.globo.com/brasil/ascanio-seleme-general-prefeito-vem-ai-23529210>). Isso ajudaria a pavimentar um futuro projeto de reeleição.

O governo ainda patina vergonhosamente em algumas áreas:

– dois ministérios estão totalmente instáveis e com os cabeças no alvo da guilhotina: o da Educação vive uma crise há oito dias, com todas as suas ações paralisadas em decorrência da disputa entre Ricardo Vélez e Olavo de Carvalho; o do Turismo, cada vez mais atrofiado com as denúncias de candidaturas femininas laranjas patrocinadas por Marcelo Álvaro Antônio nas eleições do ano passado. Vélez tenta se equilibrar na corda bamba, mas Antônio, coitado!, nem para o churrasco na casa de Rodrigo Maia foi convidado no sábado passado.

– há instabilidade também dentro do próprio Palácio do Planalto, no 4° andar: cada vez mais fica escancarada a disputa entre o general Santos Cruz (Secretaria do Governo) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil). O general quer derrubar nomeações de Lorenzoni alegando suspeitas de irregularidades dos nomeados, o que enfraquece o ministro da Casa Civil, único civil no chamado ‘núcleo duro’ do Planalto.

– o raciocínio de negociar com bancadas temáticas (da bala, rural, da Bíblia…), planejado pelo capitão, não deu certo e ele se viu obrigado a negociar com partidos que o apoiam (na base do toma lá, dá cá) a contagem de votos para aprovar a reforma da Previdência. Tanto que já correu a liberação de R$1 bilhão para ser trocado pelo orçamento impositivo e os 350 votos pretendidos pelo lado governista. A reforma precisa de 308 votos em cada turno, mas o governo quer demonstrar força (financeira) chegando a 350. Nessa negociação entrarão cargos do MEC oferecidos a parlamentares e técnicos evangélicos.

– no Ministério do Meio Ambiente, 25% dos cargos de confiança e comissionados ainda estão vagos. As secretaria de gestão da biodiversidade e a de florestas ainda estão vagas, acarretando demora na implementação de ações e expondo essas áreas ao desejo de setores econômicos interessados na exploração do solo.

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