Cego que guia cego

Vai se consolidando a percepção de que a equipe do capitão não precisa de nenhum agente externo para desestabilizar, desequilibrar, des-harmonizar seu (des)governo. Eles não precisam ações ‘do contra’: eles próprios criam ações contrárias que vão formando fendas e falhas na terra plana da administração federal. Quem ainda não enxergou isso e se farta na ilusão de solidez de seu Jair, realmente é cego que guia cego.

A crise aberta na sexta-feira passada – com o zap enviado por Sergio Moro para Rodrigo Maia, cobrando maior compromisso e celeridade ao presidente da Câmara para o andamento do pacote anticrise do ex-juiz de Curitiba – foi se escancarando ao passar dos dias, desencadeando reações e contrarreações que beiram ao novelesco e às teorias conspiratórias, bem como revelam as indignidades que encobrem cada gesto dos envolvidos.

Moro ataca Maia, que revida. Maia entra em contato com Paulo Guedes e ameaça abandonar as negociações para aprovação a reforma da Previdência. Ao mesmo tempo, Carlos Bolsonaro açula Maia, que revida. Simultaneamente, e extrapolando a esfera do governo (entrando no vasto campo das especulações por vezes deliciosas e atraentes), são detidos personagens do governo anterior, que mantêm relações em diversas esferas com personagens do atual governo, por meio de operações da Polícia Federal. O capitão entra no meio e dispara para ‘a namorada’ Maia.

Como se não bastassem as crises dentro do próprio país, são criadas saias-justas diplomáticas com outros países. A sofrida performance da comitiva brasileira em sua primeira viagem oficial aos Estados Unidos (já tratada no Inventário do (des)governo especial publicado na quarta-feira passada) expõe as fragilidades do ministro Eduardo, ops… Ernesto Araújo e do próprio capitão, que saiu repetindo os clichês de sua campanha eleitoral. Mas se não bastasse isso, na visita ao Chile, tanto o capitão quanto seu ministro da Casa Civil deram declarações aberrantes em defesa da ditadura chilena, de seu condutor Augusto Pinochet e do sangue de opositores derramado. Nunca se viu tamanha inabilidade, grosseria, inconsciência, estupidez, cegueira moral no campo diplomático brasileiro. Ao ponto de rapidamente os presidentes do Senado e da Câmara de Deputados chilenos darem declarações em sentido oposto ao dos brasileiros, de um senador se recusar a jantar com o capitão e de o presidente Sebastián Piñera, mal o estúpido Bolsonaro ter levantado voo, também se posicionar contrário as opiniões dos visitantes.

E agora: o que esperar da visita a Israel no final do mês?

Enquanto isso, na terra plana dos ministérios:

– Ricardo cabra-cega Vélez se mostra completamente inútil e incapaz de continuar a conduzir o Ministério da Educação. Paralisado pelo chefe e sendo fritado pelo Bruxo da Virgínia, as ações centrais do ministério estão paradas. Para mostrar serviço, criou uma comissão de investigação para censurar as questões do próximo Enem e inseri-las dentro do viés ideológico que o governo deseja. Além disso, viu sua n. 2 (a que foi sem nunca ter sido), Iolene Lima, cair do posto e do ministério.

– a Miss Agrotóxico do Ministério da Agricultura, que antes do carnaval dera aval para o uso de glifosato na lavoura brasileira, se viu diante da divulgação por agências norte-americanas da comprovação de que esse herbicida foi fator desencadeador para desenvolvimento de câncer em seres humanos. Como ficará a autorização dada no Brasil?

– o ministro da Cidadania, Osmar Terra, até então sumido, na dele, deu o ar da graça ao entregar ao governo dados de uma pesquisa sobre o desenvolvimento intelectual de 3.000 crianças de 0 a 3 anos de famílias beneficiárias do programa Criança Feliz, do Bolsa Família. Na pesquisa, 65% (ou seja, 2/3) dessas crianças tiveram desenvolvimento intelectual acima da média. O patético capitão, em uma live ainda em Washington, divulgou que apenas 35% (isto é, 1/3) dessas crianças tiveram tal desenvolvimento. É descarada a má vontade em reconhecer o valor de programas do governo petista e querer alterá-los baseado na distorção dos dados, como se alguém com um pouco mais de tino não pudesse contradizê-lo.

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