Ciclone confundido com chuva de verão

Depois de dez dias de instabilidade política nas relações entre o Executivo e o Legislativo, protagonizada pelas brigas entre Rodrigo Maia e Sergio Moro, Rodrigo Maia e Carlos Bolsonaro, Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia e Paulo Guedes, alguns militares e o governador Ronaldo Caiado entraram em cena para apaziguar os ânimos e não comprometer o andamento da reforma da Previdência.

De fato, o buraco é mais embaixo: em 90 dias de um governo de basbaques, sem planejamento claro, com várias cabeçadas nas paredes ministeriais e palacianas, sem definição de uma política econômica e trabalhista conforme prometido, fundado no desmonte de estruturas funcionais nos ministérios (haja vista o de Educação, Relações Exteriores, Direitos Humanos, Meio Ambiente…), que só sabe repetir o mantra ‘aprovar a reforma da Previdência’, a última coisa que deveria acontecer seria um desentendimento entre o Legislativo e o Executivo que colocasse em risco não apenas a tal reforma, mas a simplória base de sustentação do capitão e seu próprio cargo.

Justificado pela inexperiência e inabilidade políticas, de Washington, Moro enviou um zap para Maia e deu no que deu… Durante a visita ao Chile, o general-porta-voz do Palácio do Planalto disse: “Onyx Lorenzoni é o tradutor do nosso presidente.” Na sequência, Lorenzoni sai com a fala descabida e elogiosa a Augusto Pinochet e o banho de sangue da ditadura chilena. Dias depois foi o próprio capitão, traduzindo seu tradutor, que repetiu a mesma dose de sandice, sublevando os políticos chilenos. Pois bem, além do incapaz precisar de um tradutor, ele mesmo assina embaixo de sua incompetência para governar e reconhece que não se envolverá nas negociações para a aprovação da reforma da Previdência.

Por que se assustar com os 90 dias de (des)governo, se o próprio encarregado não é capaz de nos surpreender? Já ultrapassou a marca de 50 o número de militares que ocupam cargos principais nas equipes de governo e ministeriais. Para quem tanto reclamou, a coisa vai caminhando para o mesmo rumo: aparelhamento militar do Estado. Ou, neste caso, chama-se outra coisa?…

Esta semana, o capitão está em Israel, onde será pressionado pelo primeiro-ministro israelense a abrir um escritório diplomático em Jerusalém. Com seu jeitão tosco e submisso, certamente concordará. Ao mesmo tempo, acirrará uma crise no Ministério da Agricultura, visado por parceiros árabes que pressionam abandonar importações caso o governo brasileiro avance em tratativas com israelenses. A ministra Tereza Cristina já agendou um jantar com diplomatas e representantes comerciais dos países árabes, mas corre o risco de ter indigestão. Ou seja, até com ministérios que conseguem se sustentar (mesmo que escancarando a aprovação de agrotóxicos), o capitão vai lá e atrapalha em nome de uma política externa que ele não sabe por onde passa porque teleguiado pelo filho 03.

Mas a semana rica em demonstrações de estupidez pode se simbolizada por mais dois fatos: logo na segunda-feira (25), a determinação para os quartéis comemorarem os 55 anos de golpe militar (ele usou uma expressão falsa para se referir ao golpe de 64). Sem comentários! O preocupante é o que começa a se antever para a simbologia do 21 de abril: alguns deputados estaduais mineiros começaram a se mobilizar para exigir que o capitão receba a Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto. A comenda é considerada a mais alta honraria concedida pelo governo de Minas.

O segundo fato: a participação de um sujeito sabidamente racista, homofóbico, xenófobo, misógino, machista no evento evangélico Escola de Hombridade, destinado a homens ‘destemidos, corajosos e honrados’. Só mesmo no universo paralelo evangélico tudo isso e aquilo pode ser concentrado em um ser humano. Em tempo: paralelamente à Escola de Hombridade, ocorreu a Conferência Modeladas, para mulheres. Adão e Eva redivivos. Sem comentários.

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