Governo da indigência

Diversas avaliações foram feitas sobre os 100 dias de (des)governo do medíocre ex-parlamentar que passou 28 anos em estado de inércia na Câmara de Deputados, expelindo impropérios ao longo daquele tempo. A maior parte das avaliações, como se esperava, foi negativa, apontando problemas, defeitos, debilidades em termos do (fraquíssimo) plano de governo, e vergonhas impostas à população fora do país.

Na segunda quinzena de janeiro foram anunciados 35 objetivos a serem alcançados nos cem primeiros dias de administração. No balanço feito no dia 10 passado, 24 ações foram dadas como atingidas. No entanto, forçaram a mão para chegar a essas 24. Por exemplo, regulamentar a educação domiciliar – ela não foi propriamente regulamentada: poucos dias antes de completar os 100 dias, foi enviado à Câmara de Deputados um projeto de lei a respeito do tema, o qual será analisado e votado, sabe-se lá quando… Como o (des)governo funciona na base do improviso, fica explicado como se chegou àquelas 24 metas – dar o chute inicial já é o suficiente para considerá-la alcançada.

Algo parecido ocorreu com o programa Bolsa Família (que não fazia parte das 35 metas, mas agora dá publicidade para o mesmo sujeito que o combateu outrora): o capitão anunciou o acréscimo do 13° salário. Alardeou que o montante financeiro para fazer esse pagamento será proveniente da solução de fraudes no próprio programa. Mas o ministro da Cidadania não mencionou os tipos de fraudes detectados e o valor exato derivado dessas correções. Além disso, o anúncio demagógico foi feito na data de prestação de contas dos cem dias, mas o decreto que autorizará isso só será assinado em outubro!

São atos como esse que marcam o grau de indigência do (des)governo bolsonarista. É o somatório dessas ações desgovernadas (não apenas no núcleo central, mas em diversos ministérios) que nos deixa muito clara a precariedade dessa administração. Indigência e precariedade intelectual, retórica, de oratória, ética, de valores, de projetos, de crenças, de postura (claro, pensando tudo isso de um ponto de vista humanista e progressista). Enfim, é um (des)governo carente de tudo o que permite posicionar o país como território autônomo, não atrelado aos Estados Unidos. E nem é preciso recuar muito longe no tempo para afirmar isso: na mesma semana do balanço dos cem dias, o capitão confessou que negociou com Trump a parceria para os dois países explorarem a região amazônica.

Após o anúncio suspeito do alcance de 24 metas, Bolsonaro aproveitou a cerimônia de quinta-feira para anunciar mais 18 ações, entre estas a que promove o que tem sido chamado de ‘revogaço’ – o cancelamento de diversos órgãos consultivos ou deliberativos, de controle social, na esfera federal. Por exemplo, foram eliminados, numa primeira leva de 35 extinções, o Conselho Nacional LGBT e o Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência (como dona Michelle reagiu a isso?).

A indigência do dirigente é tão grande que, após dizer que não nasceu para ser presidente, acrescentou que estava no cargo apenas por obra e arte do filho Carlos, o dono e manipulador das redes sociais do pai. O que mais ainda resta a ser confessado? O que mais ainda resta a ser comprovado em termos de indigência?

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