Varejão da Educação

Tal qual o Biroliro, seus ministros gostam de chegar causando… mal-estar, desconforto, aversão… A mudança de página no Ministério da Educação serviu de fato para explicitar com quem tratamos e o que esperar como antiprojeto de Educação para este país.

Saiu de cena o esquisito Ricardo Vélez Rodríguez, que até compôs bem o elenco canastrão da novela mexicana que acompanhamos durante pouco mais de cem dias; entrou em cena o aspirante a déspota Abraham Weintraub, de nome bíblico, patriarcal. Do bufão ao vilão – mudança bem significativa pelos rompantes que Weintraub desferiu já no discurso de posse, exigindo lealdade e o fim da briga de comadres entre os técnicos, os olavistas e os militares do ministério.

Nos dias seguintes, aflorou o clichê da defesa da família, da moral, dos costumes. Ao mesmo tempo, dois intensos holofotes foram acesos, cada um no extremo da cadeia do processo educacional. O foco de um iluminou a Educação Básica e o desejo de investir nessa etapa inicial de formação do estudante. A forma para isso não foi explicitada, mas se retomou a discussão do método a ser adotado para a alfabetização de crianças e a alteração do processo de avaliação daquele nível de educação.

O segundo foco se posicionou no Ensino Superior, com a destilação de velhos venenos: cursos de Ciências Humanas não servem para nada (em última instância, o significado foi esse para o desejo de reduzir a oferta de cursos de Sociologia e Filosofia); que as universidades públicas são antros de sexo livre, gente pelada, balbúrdia e evento ridículo (das particulares nada foi dito…); que o ‘viés ideológico’ das universidades públicas precisa ser cortado.

Nesse sentido, o 30 de abril ficará marcado como o início da caça às bruxas encarnadas pelas universidades públicas e institutos federais: o ministro da Educação puniu a UFBa, a UnB e a UFF com o corte de 30% de custeio alegando fraco desempenho. No mesmo dia, à noite, o MEC estendeu o corte a todas as universidades públicas do país.

Nem o ministro, nem o presidente desconhecem a realidade tanto acadêmica, quanto financeira das universidades públicas. A estupidez e a boçalidade de ambos não chegam a este ponto. O que habita nessa medida é a truculência que se resolveu adotar: mete-se o pé na porta pelo lado mais fraco – o estrangulamento financeiro. É a forma de começar a pressionar, chantagear e assediar para negociar a imposição de modelos educacionais em áreas de interesse do governo e certamente começar a desmobilizar a estrutura das universidades públicas e dos institutos federais.

Em nenhum momento foi questionada a farra de criação de universidades, centros universitários e faculdades isoladas privadas, que brotam por geração espontânea e aquelas reincidentemente mal avaliadas nunca são extintas.

É preciso falar dos interesses da Associação Nacional de Universidades Privadas (ANUP), cuja vice-presidente é Elizabeth Guedes, irmã do ministro da Economia, Paulo Guedes. É preciso falar dos interesses dos grandes oligopólios de educação – Anhanguera, Kroton, Estácio, Uninove, Pitágoras, GAEC-Anima. É preciso falar do assento que o ministro Paulo Guedes já teve no conselho administrativo de um dos oligopólios mencionados. É preciso saber em nome de quem o atual ministro da Educação atua ao tratar no varejo as universidades públicas e os institutos federais.

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