Desde janeiro, já estamos no tsunami

Na sexta-feira passada, o capitão-presidente mencionou que previa um tsunami para algum momento desta semana. Patético, mal sabe ele que o tsunami brasileiro começou em 1° de janeiro deste ano e não parou mais.

O evento caótico da semana que passou foi o decreto presidencial que altera acintosamente o Estatuto do Desarmamento, lei construída ao longo de anos, com participação democrática de diversos setores sociais, inclusive daqueles que foram contra. Em síntese, e como colocado em duas publicações em nosso perfil, o decreto arma a população da maneira mais estúpida possível. As reações contrárias foram variadas e o capitão-presidente, aprendiz de trapalhão, foi intimado pela ministra Rosa Weber, questionada pela Rede Sustentabilidade, a explicar, no prazo de cinco dias, as mudanças propostas no decreto.

Vale a pena reproduzir aqui parcialmente a crônica de domingo (12) do jornalista Janio de Freitas, no jornal Folha de S.Paulo, intitulada “Maníaco de morte”:

“A violência não basta a Jair Bolsonaro. Esse ir além é o traço só seu na conturbação que, por genética maldosa e incorreção educativa, assemelha o pai e os três filhos maiores.

(…)

A campanha à Presidência é de memória recente, impossível de esquecer um candidato cujo simbolismo era a pose de mocinho ou de bandido com a mímica de pistoleiro. Por escolha sua, de prazer aberto no rosto, sem distinguir lugares e ocasiões. Nas palavras, de variação muito limitada, sempre a difusão das armas letais, a validação da morte alheia a pretexto de defesa, a promessa prioritária de armar os civis. Programa para saúde, educação, retomada do crescimento, emprego – nada, isso seria programa para vida.

Empossado, Bolsonaro orgulhou-se de fazer a primeira amputação do Estatuto do Desarmamento como ato inicial de ‘governo’. Mais armas, mais assassinatos. O segundo ato da política de mortes visou à impunidade do proprietário de terra que mate ou mande matar invasores. É o inovador direito de ser assassino.

A nova amputação, já quase extinção, do Estatuto do Desarmamento veio, agora, acrescentando à função liberatória aberrações não esperáveis nem de Bolsonaro. Porte de arma para repórter de assuntos policiais é atrair tiros sobre jornalistas, o que poderia dar aos Bolsonaros alguma sensação de justiça à sua maneira, mas demonstra ignorar também o que são jornalismo, repórter e imprensa.

Liberar para menores de idade o uso de armas em clubes de tiro, pendente só de autorização paterna ou do responsável, é um incentivo combinado à criminalidade e à deseducação. É perto do inacreditável. Uma indústria de vocacionados para a violência, de maníacos da morte. Tudo isso em uma só pessoa – do que temos exemplo.

Cá em minha vida longa, desconfio muito dessa liberação de posse e porte de armas, e estoque de munição, para ‘dar direito à defesa pessoal’.”

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