Os malabaristas do desejo Como nos relacionar quando a assertividade do feminismo questiona tudo?

Nas últimas semanas, o debate sobre a responsabilidade afetiva foi o estopim para agitar as redes sociais. Até que ponto os relacionamentos que tentam refazer o caminho tradicional são cuidadosos com xs outrxs envolvidxs? É possível separar o ciúme, a territorialidade e o medo do sexo e do amor? Pessoas que foram criadas e socializadas culturalmente para viver relações monogâmicas e realizar o modelo tradicional de família podem reaprender e atender outras formas de desejo. Por isso, o poliamor, a pansexualidade ou as relações fluidas estão rompendo as cadeias da parceria fixa e eterna como único destino. Mas enquanto se operam essas experiências, surge a necessidade de uma ética de cuidados, um novo modo de surfar a vida sem que as relações se convertam em novos sofrimentos ou em etiquetas de mercado.

Existem ideais de amor e de casal. Esse ideal é monogâmico e para toda a vida. Um grande aparato social e cultural a serviço do amor monogâmico vai impregnando nossas vidas desde as primeiras etapas de socialização: a ideia de que somos pessoas inacabadas em busca constante desse/a outro/a que nos completará. O cinema e a literatura, passando pelas histórias heteronormativizadas da Disney até os romances que escolhemos: narrativas que produzem sentido e a partir das quais construímos mundos possíveis.

A religião cristã também organizou sua versão: à ideia do casamento até que a morte os/as separe, se somou o mito do protetor dos/as enamorados/as, Valentim de Roma, um santo que colocava em risco sua vida para unir os casais em matrimônio e que o mercado consagrou para gerar todo tipo de consumos materiais. Em 1969, a Igreja Católica apagou a festividade do calendário eclesiástico, por considerá-la uma celebração de origem pagã. No entanto, em 2014, Bergoglio voltou a incluí-la.

Há quem construa seus relacionamentos a partir dessas produções socialmente instaladas e legitimadas, porque se sentem cômodxs com a exclusividade dos vínculos e o elegem para suas vidas. Há quem decida sair dessas ficções criadas e escolhem migrar para outros modos de se relacionar, atendendo ao surgimento de seus desejos. Outras formas de amar, conhecer, pegar, vincular-se livremente. Questionam a monogamia como sistema que sustenta o modelo tradicional de família, o binarismo de gênero, a figura do macho patriarcal, o amor romântico, a exclusividade sexual como única ideia de fidelidade do casal. Exibem os limites das crianças, restritas à figura materna ou paterna, refletem sobre a não dependência de um/a outro/a. São relações baseadas em acordos consensuais entre as pessoas envolvidas.

Brigitte Vasallo é escritora, ativista lésbica e feminista espanhola, que, do outro lado da tela do meu celular, responde com um “Olá”. Vasallo vem desarmando o discurso da monogamia desde 2013 e reflete sobre o que significa migrar desse regime: “O trabalho vital que enfrentamos é contra a imposição de um sistema que delimita nossos desejos, nossos espaços corporais, nossas possibilidades e projeções emocionais, e que nos obriga a nos ancorar em uma única opção. Se a ruptura com a monogamia tem algo de subversivo, é a possibilidade que abre para desnaturalizar o sistema imposto, para repensarmos como e por que amamos, como o fazemos. Construir novas possibilidades entre as que escolher.”

Mariam Pessah – ARTivista feminista, escritora e poeta – mantém relações não monogâmicas há 15 anos e conta que em seus relacionamentos constantemente se criam regras que, quando necessário, são refeitas e discutidas. Para ela, “Habitar a anarquia amorosa” é estar num laboratório permanente. E acrescenta: “É óbvio que estamos mudando, porque a proposta é o movimento, nunca a rigidez. E é muito válido em algum momento dizer não quero, não posso, me dói. Porque a vida em si nos custa. Assim, como é válido estar em um relacionamento exclusivo! Ou seja, paramos para pensar na sociedade monogâmica, não a queremos reproduzir, mas, ao mesmo tempo, não nos queremos impor o dever de estar nos relacionando permanentemente com outras pessoas para não sermos simples reprodutoras do sistema.” Simultaneamente, ela acredita que é muito possível que, sobretudo após certa idade, surja a necessidade de estar só com uma companheira sexo-afetiva. E se pergunta: “A mesma coisa acontecerá com ela? Por isso a comunicação e os códigos são essenciais. Queremos contar para o outro? Queremos saber? Quando e como contar? Nessas épocas tão on-line, a intimidade requer outros cuidados”, conclui.

Vasallo garante que o poliamor pode ser machista e neoliberal, e sobre isso é preciso estarmos atentxs: “Há uma questão de poliamor mainstream que se instalou em comunidades heterossexuais, que rondam os 40 anos, classe média, brancos, onde estão ocorrendo desastres como o de um casal de toda uma vida: ele tem amantes muito mais jovens e ela prepara o jantar para todas. Isso está acontecendo. Ou o poliamor como espaço de trânsito para um novo casal monogâmico. Há um poliamor heteronormativo, mas aqueles que estão desenvolvendo práticas na direção da ruptura com a monogamia real são as comunidades minoritárias (se refere às comunidades LGBTQIA+) por razões muito práticas: somos comunidades muito pequenas e não nos podemos permitir determinados desastres.” Em seu último livro, Pensamento monogâmico, terror poliamoroso, a escritora pesquisa como a centralidade da monogamia influi historicamente em nossas construções amorosas e seus mecanismos de imposição. “O erro básico de como estamos pensando o tema do poliamor é dado porque não estamos entendendo o que é a monogamia, pomos o tema da exclusividade no centro e, portanto, o estamos reduzindo a uma quantidade. Isso é produto do capitalismo neoliberal”, garante. Para a autora, trata-se de romper com a imensa trama do sistema monogâmico. Isso não implica apenas ter mais de uma parceira, mas desenvolver outras dinâmicas com as quais se relacionar. E acrescenta: “É violência coagir os/as outrxs a se libertarem de todo esse quadro com argumentos que remetem aos grandes discursos, mas que não contemplam as dores nem as dificuldades.” Do contrário, só estaríamos reproduzindo monogamias simultâneas que seguiriam alimentando os amores românticos ou “os amores Disney”, como ela os denomina.

Para essa tarefa árdua de romper com “o monopólio da monogamia”, Vasallo propõe conceber o amor ou os amores como “redes afetivas” partindo de três princípios básicos – a inclusão, a convivência e a cooperação – e explica: “Em um esquema assim, não há hierarquias: os núcleos afetivos mudam e variam de intensidade, de frequência, mas todos estão interconectados, e se alimentam entre si. Nas redes, os amores não são descartados nem substituídos, mas se transformam, mudam de lugar; no entanto, seguem fazendo parte do conjunto, do que somos. O amor não é o raio que te divide, não é a flecha de cupido. Essa é a atração. Uma atração que se pode converter em infinitas maneiras de relação. E que se desincumbe da obrigatoriedade e da necessidade de ser ‘a melhor’. Não há luta, não há competição. Não há guerra”.

belén escreve seu nome com inicial minúscula por escolha própria e por inspiração de outra ativista, val flores. É também ativista lésbica feminista, especialista em estudos de gênero e vive relações abertas há seis anos: “As relações sexo-erótico-afetivas abertas implicam debater, questionar os sentidos de propriedade que construímos com e sobre outrxs, é revisar o ‘eu’, em relacionamentos afetivos e até familiares (mil vezes temos escutado “mi hije”[i] e pouquíssimos debates em torno de crianças outras, mais rizomáticas e coletivas e de amigxs inclusive). Cabe pensar em redes de afetos, não em exclusividade; tensionar a vastidão que nos é imposta acerca dos relacionamentos. É tensionar a monogamia como única possibilidade de habitar as relações, é destronar a ideia de amor-sacrifício. É apontar a circularidade do afeto, para horizontalizá-lo”, reflete.

Entre a ética e a responsabilidade afetiva

Dentro de relacionamentos abertos estabelecem-se acordos que têm a ver com as necessidades e características de cada vínculo. Cami conta que habitualmente prefere estabelecer um plano com as pessoas às quais se vincula: “Normalmente, não tenho dias fixos para cada pessoa porque nem sempre coincidimos, mas creio que o melhor é saber mais ou menos o horário das demais pessoas e ir acomodando os encontros com base nisso. Depende muito do acordo feito com o relacionamento que você tem: se há uma relação hierárquica, se o tempo é priorizado e acomodado conforme aquele vínculo primário. Estabeleço esse tipo de acordo a maior parte do tempo, embora sempre com a possibilidade de conversar se alguém quisesse alterá-lo. Inclusive, depois de acordar que já não há uma relação hierárquica, continuava mantendo de certa forma porque se dava naturalmente que esse relacionamento tivesse mais prioridade.”

Mas os acordos não são simples quando se trata de afeto e sexualidade. Por isso, começa a soar uma categoria tão amada como questionada: responsabilidade afetiva. Frente a essas outras formas de se relacionar, ao entrar no terreno da experimentação surge a necessidade de nomear discursivamente aquele que entra no plano da experiência e estabelecer alguns limites, margens, consensos sobre como cuidar-se mutuamente; embora também se enuncie isso como “o que é certo” ou “o que é errado”.

O que implica a ideia de responsabilidade? A linguagem contratual serve nessa zona frágil e sensível da afetividade e do erotismo? Falar de “responsabilidade” facilita a operação de assinalar erros? E como se definem os “erros”? Há aqueles que preferem falar de ética afetiva, uma ética distanciada da moral ocidental, fazer o bem de e para o outro, um bem coletivo. “Se alguém me propõe como acordo que quer me ver uma vez por semana (independentemente de haver hierarquia ou não com outro relacionamento), mas nunca o cumpre nem tampouco se esforça em explicar sua situação ou sua necessidade de mudar os planos, então me parece que falta responsabilidade afetiva. Basicamente estaria falhando a sinceridade e a comunicação”, garante Cami.

Que tipo de liberdade uma relação livre procura alcançar? De nada serviria pensar no ideal liberal da liberdade individual em que cada um tem o que quer; o que se busca é pensar em um tipo de liberdade coletiva. Ter uma relação aberta deve ser também nos abrirmos, deixar de nos pensar como centro. “Em um vínculo poliamoroso pode haver uma pessoa extremamente abusiva que faz coisas como, por exemplo, expor suas múltiplas parcerias a situações incômodas entre si para ver quem briga por elx. Situações de competição, gerar ciúme deliberadamente para manipular, no sentido de não reconhecer o ciúme como uma emoção potente que todas as pessoas vivem e que realmente pode destruir um casal, como também pode gerar vínculos muito mais ricos se isso for falado de forma saudável sem manipular alguém para deixá-lo fazer coisas que, se não estivesse exposta, não faria.”

E então cabe se perguntar: Que ética tem essa ideia de liberdade, que sempre serve para outras pessoas envolvidas? Você pensa sobre como as decisões, ações e formas de nos relacionarmos livremente afetam xs outrxs? Onde estão as políticas de cuidados, a honestidade, a empatia com aqueles que constroem essas relações livres quando existem falhas, fissuras, mal-entendidos?

Ana Larriel é licenciada em Psicologia, psicanalista, paraguaia e ativista gorda. Há duas semanas, ela vem trabalhando em sua cabeça que as coisas estão em jogo nos relacionamentos livres: “A ideia de liberdade de uma ideologia liberal que pensa em um indivíduo isolado de outrxs não serve. Estamos atravessados por vivências que já tivemos e, com os traços deixados do que não pude ser, vamos ao encontro dos demais com todo esse novelo de atravessamentos que, em sua maioria, desconhecemos e nos encontramos com o/a outrx e seu próprio novelo em algum ponto onde misteriosamente algo faz contato.” Ela refreia seu discurso por alguns segundos e o retoma com estas perguntas: “Como pensar em sermos livres no encontro? E como poder pensar em termos de responsabilidade nesse encontro? Podemos ser responsáveis pelos traços do passado que inclusive desconhecemos, mas que se acendem quando alguém nos toca justamente aí onde não sabíamos que podíamos ser tocadxs?”

Larriel sustenta que para poder responder essas questões é necessário começar por si mesmo/a, por nossas ações, encontrar onde está o sujeito em nossas próprias vivências: “O termo responsabilidade afetiva me provoca muito ruído, em primeiro lugar porque, como psicanalista que acredita na existência do inconsciente, sei que é muito complicado dizer a um eu completamente consciente que você pode se encarregar de tudo. Isso é complicado porque esse eu sempre tem algo de si mesmo que desconhece. Responsabilidade tem a ver com ética, com uma ética entendida, como diz Virginia Cano em Ética Tortillera, ‘no horizonte das ações, paixões e desejos que constituem um modo de ser no mundo’. É nesse modo de ser no mundo onde aparece um lugar para a escolha e nesse lugar para a escolha da possibilidade de um sujeitx que elege, nesse mínimo espaço que nessas coordenadas podemos chamar liberdade”.

O importante nesse ponto é não confundir ética com moral, a moral universal judaico-cristã ocidental que encerra valores universais. Larriel adverte sobre a necessidade de evitar “A moral que permite convocar o indivíduo, negar seus atravessamentos e exigir-lhe que cumpra com o que de antemão se espera dentro das imagens pré-formadas do que é bom, mau, desejável ou esperado. Apenas demandar, exigir; nem cobiçar, nem acompanhar.” E acrescenta: “As estruturas capitalistas e patriarcais que deram forma à moral heterossexual e monogâmica estão erguidas sobre essas bases que formataram nossas ideias de amor e de vínculo com as que agora estabelecemos discussões e diferenças.”

E aqui surge uma nova questão para Larriel: Isso então serve como ética afetiva? E ela responde: “Parece ter o potencial para pensar as formas de nos vincularmos se se distancia da moral universal e pode pensar na singularidade dos atravessamentos que conformam um vínculo. Implica um grande trabalho, desenhado de antemão onde podem aparecer formas de cuidado, amor, acompanhamento, honestidade e empatia que de outra forma não eram possíveis. Trata-se de encontrar outros tempos, não de evitar a angústia, mas de saber que alguém estará lá com a outra pessoa quando ela aparecer. Pode nos deixar com feridas mais abertas e à beira de uma precariedade que pareceria nos destruir, mas que talvez o que estivesse destruindo são as formas que nos asfixiavam. Estará aí a liberdade?”

O desejo de experimentação constante

Os acordos consensuados podem mudar, reformular-se ou inclusive quebrar-se porque os sentimentos das pessoas envolvidas num relacionamento aumentam, diminuem ou desaparecem e isso implica que uma das partes já não esteja desfrutando desse relacionamento. Vasallo considera: “Tentar construir relações de longo prazo com base no desejo cai por seu próprio peso, porque algum dia essa base vai se mover. Além disso, temos que ser conscientes de que as outras pessoas não são dildos e temos que ter claras as expectativas que estão sendo geradas na outra pessoa e em si mesma. O amor livre, que nasceu como resistência à instituição do casamento, tem sido despolitizado para se tornar uma sombra de cadáveres emocional que tem mais a ver com uma liberdade neoliberal que com o amor.”

Há momentos em que vale a pena se perguntar: Como exigir “responsabilidade” se não manifestamos desconfortos ou o surgimento de novos desejos? Poder contar o que se passa conosco sem medos, compartilhar dúvidas, angústias, talvez a outra pessoa não esteja notando a mudança, ou talvez estejamos dissimulando para parecermos fortes e emancipadxs. Para belén, é difícil identificar as falhas porque “As formas do ‘amor’ convencional e monogâmico estão tão instaladas e roteirizadas que se tornam as respostas imediatas para um vínculo. Por isso, debater e habitar relacionamentos abertos é muito complexo, e na maior parte das vezes não funciona bem porque nos custa muito desaprender o roteiro, porque nos machucamos, porque não sabemos, às vezes, nem quando, nem como dizer o que está acontecendo conosco, porque nos sentimos exigidas, porque queremos revisar os acordos. Creio ser fundamental registrar-se, poder conversar sobre o que está nos acontecendo, e registrar o/as outrxs, não construir novas morais ou ‘deve ser’. Olhar, ouvir, quem é você conosco e vice-versa. É um pouco desconfiar disso que chamamos ‘desejo’. O que é isso que digo e sinto quando desejo?”

Qualquer pessoa pode reproduzir o ideal de liberdade individual sem cuidados, estabelecer estruturas de poder, inclusive inconscientemente. A ética afetiva nunca recai sobre uma pessoa apenas. Partindo de um trabalho interior, supõe estar atentx aos indícios de mal-estar que o/a outrx dá, perguntar, indagar sobre seus sentimentos. Assumir responsabilidade sobre como as decisões, palavras e ações que tomamos afetam o/as outrxs. E também, não se silenciar, expressar o que incomoda e estar preparadx para possíveis mudanças. Apoiar cuidados recíprocos.

Nenhum desejo ou sentimento é estático; portanto, tampouco o serão os relacionamentos livres, mas o será uma busca de experimentação constante, um deixar-se levar pela adrenalina que provoca a surpresa. Pode falhar, pode doer, mas todas as feridas cicatrizam. É preciso desdramatizar e bancarmos as rupturas, porque, em suma, como diz o filósofo trans Paul B. Preciado: “O amor é uma floresta em chamas de onde não se pode sair sem se queimar os pés.” Essa pele calcinada cai e se regenera. E porque para além da monogamia, o poliamor ou os relacionamentos livres, qualquer que seja o tipo de relação que escolhermos, afetar-se com outrxs supõe, em menor ou maior medida, um nível de envolvimento sentimental e é por isso que ninguém pode garantir que sempre sairá ilesx.

Reportagem de Estefanía Santoro publicada em Pagina 12, em 28 de junho de 2019. Disponível em: <https://www.pagina12.com.ar/202982-los-malabares-del-deseo>.

Tradução: Luiz Morando.


[i] Aqui é difícil propor uma tradução. A autora do texto toma o uso da linguagem inclusiva para a palavra hijo/hija (filho/filha), utilizando a forma neutra hije, em que não haveria a marcação sexo/gênero. Na língua espanhola, o pronome possessivo ‘mi’ colabora para essa desmarcação de sexo-gênero, uma vez que ele é utilizado para os dois gêneros, sem especificar a marca gramatical de gênero o/a.

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