A escola pós-pandemia

No início da semana, uma amiga, que é diretora de uma escola de Ensino Fundamental, me provocou a refletir um pouco sobre como será a escola pós-pandemia. Como gestora escolar, ela vem refletindo sobre como os professores e alunos retornarão para a escola e de que forma a gestão da escola poderá auxiliar os docentes e discentes no período de retomada. Fiquei pensando com meus botões…

Venho acompanhando pelos jornais eletrônicos, com certa distância, o início da retomada das “atividades normais” na Europa e fico me questionando sobre como aquelas pessoas que saem de casa depois de 50, 60 dias vêm se relacionando com o espaço que é delas. Será que elas se sentem pertencentes? Será que elas sentem que os parques estão mais verdes, o ar mais puro ou o céu mais azul?

Trouxe esse raciocínio para a projeção da escola pós-pandemia. Como nós, professores, retornaremos às atividades presenciais? Será que iremos trabalhar (e recepcionar nossos alunos) utilizando máscaras? Toda a equipe de trabalho será a mesma? Os que não estiverem presentes, será que estarão vivos? Será que estaremos vivos para assistir à retomada das atividades? Não sei.

Não cometendo o risco de pensar na escola apenas a partir da perspectiva do professor, estendi meu pensamento aos alunos. Será que eles chegarão à escola com sede do conhecimento, devorando livros e estando integralmente participantes do processo de ensino e aprendizagem? Ou chegarão com lacunas afetivas, com dificuldades de se organizarem para um mundo pós-pandemia? Eles perderão alguém? Será que meus alunos sabem o que é uma pandemia? Como ficam os objetos e objetivos de ensino num mundo pós-pandemia? Não sei… Não sei…

Exausto de tantas perguntas que eu me fazia e para as quais não via respostas, tentei levantar e mudar de cômodo. Algum que talvez não estivesse coberto de tanta fumaça. Busquei, dessa forma, um espaço que me inspirasse acolhimento e esperança, sensações que, por sua vez, acredito que serão necessárias na escola pós-pandemia.

Creio que quando as coisas ficarem o mais próximo possível do dito normal, as escolas terão de ocupar-se, em um primeiro momento, em receber os professores, sobretudo nós, professores mineiros. Estamos vindo de uma quarentena dupla e com a sensação de que há anos não somos ouvidos enquanto categoria. Há ainda o fator complicador de que nosso país viveu um completo desmonte da educação pública nos últimos anos e isso reflete na forma como nós, professores, nos relacionamos enquanto pares, e consigo mesmo, enquanto sujeito.

Sempre discuto com alguns amigos, professores e não professores, que ser professor é algo que está intimamente ligado à imagem do sujeito. É parte da forma como você se reconhece e se faz reconhecer. Como será que nós, professores, chegaremos à escola pós-pandemia? Seremos capazes de ajudar nossos alunos a enxergar o horizonte com esperança e a abrir seus braços em sinal de acolhimento quando resta a nós mesmos, enquanto categoria, o sentimento de desesperança e a sensação de desamparo?

A escola pós-pandemia terá que discutir a recepção dos alunos, a reorganização dos tempos e espaços educativos, repensar as metodologias com as quais a construção do saber será conduzida, a adequação do projeto político-pedagógico, o alinhamento entre qual saber deve ser privilegiado e como se dará o planejamento. Entretanto, é importante ressaltar, a escola pós-pandemia terá que discutir antes sobre a recepção dos professores e como esses profissionais desempenharão suas atribuições. O aluno é o centro do processo pedagógico, mas o professor é quem gerencia esse processo.

A escola pré-pandemia já não ia bem. A escola atual, paralela à pandemia, tenta, a partir dos esforços de servidores e alunos, com seus familiares, adaptar-se da melhor forma possível para que não se perca o fio da meada. A escola pós-pandemia reserva a todos nós o acúmulo de tudo o que vivemos, estamos vivendo e viveremos, bem como é o lugar onde teremos o desafio de recomeçar de onde paramos e seguir em frente. Mas onde paramos? Essa talvez deva ser a nossa primeira pergunta a ser respondida.

Um comentário

  1. É companheiro muito a se pensar e pouco a se resolver,por enquanto,mas uma coisa eu enquanto educadora penso , estarei mais preparada do que antes , para recebê-los de braços abertos, não por eles precisarem de mim,mais sim porque estou precisando deles ……

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