Febre de arquivos

Imagino que vocês assistiram, na Espanha, ao filme 120 batimentos por minuto, lançado em 2018, que reavivou a febre de arquivos em Paris e na Fança com o nascimento do coletivo Archives LGBTQI+ sob a liderança da Act Up Paris. Ou seja, pela primeira vez, nos reunimos nas instalações da Act Up. E, inevitavelmente, aconteceu a violência arquivística que vem com os arquivos. Para descrever o estabelecimento do dispositivo da violência arquivística, Jacques Derrida fala da ilusão de um começo e da chegada de um comando.[i] De uma convocação permanente. De um domicílio na residência de magistrados superiores, os arcontes (do grego, arkhê) que comandavam, que exerciam o poder de consignação na Grécia. E, de fato, as instituições, os arquivos nacionais, os arquivos públicos manifestaram um interesse por nós, gays e lésbicas, especialmente os gays. Sob condição de que tenham uma liderança social e mais! Quanto ao interesse dos políticos, a sinceridade dos investimentos no assunto junto com muitas outras coisas que vocês conhecem bem: o pinkwashing, a gentrificação, a gestão da diversidade, a instrumentalização eleitoral, e, na França, senão não seria a França, uma vontade de controle universal das minorias sexuais e dos gêneros colocado pela esquerda (caso contrário, não seria engraçado), o Partido Socialista etc. Por que a questão da violência arquivística e da expropriação é central quando todo mundo está de acordo em reduzir os silêncios e as invisibilizações que estão no cerne das culturas LGBTQI+? Porque nem todas as formas de visibilidade têm o mesmo valor. E aí (não terei tempo para desenvolver, mas poderemos falar sobre isso), é preciso se dar conta dos limites da política de visibilidade calcada sobre a política dos anos 1970, a política das identidades e das representações estadunidenses e o que muda, agora que estamos em um contexto neoliberal, homonormativo e transnormativo. A crítica de pessoas trans e queers of colors é decisiva aqui. Não terei tempo de aprofundar nisso, mas vocês têm um bom resumo das críticas dessas pessoas no livro Trap Door, editado por Reina Gossett, que fez o filme sobre Marsha P. Johnson, Eric A. Stanley e Johanna Burton, que fala justamente dos limites da política das visibilidades, especialmente de um ponto de vista trans e trans of colors, que é também um dos temas deste Colóquio, a interseccionalidade. Tudo depende então da forma de presença que vamos assumir. Porque o arquivo não é sinônimo de memória, de se voltar para o passado. Porque quem diz visibilidade, diz seleção, interpretação, autoridade. Porque tudo depende do modelo de arquivo que se escolhe. Há alguns que o levam diretamente de volta ao armário ou ao túmulo. Enquanto existem outros que te dão força, te projetam no futuro e te permitem justamente se opor ao que Foucault chamava censuras produtivas. Porque não há apenas a censura que remove, há a censura que produz, à qual as pessoas LGBT foram submetidas no século XIX. Os arquivos que são a vida são: de volta para o futuro, caso contrário, é a morte com suas funerárias e suas câmaras frias. Para compreender a violência arquivística, epistêmica, administrativa que isso desencadeia, retomarei rapidamente três paradigmas, três diferentes filosofias do arquivo: o modelo arqueológico, o modelo administrativo e o modelo performativo-produtivo. Em seguida, examinarei o que fazemos e como podemos contrariar o modelo administrativo/arqueológico.

O modelo arqueológico – eu não disse genealógico no sentido foucaultiano – é o mais conhecido. É o mais clássico, o mais imposto. Isso é evidente. O arquivo representa o acesso ao passado e nos permitirá reconstruir a história de forma factual, científica. Com esse modelo, é o tempo linear da existência “biológica”, natural, que dispara o arquivo, o torna possível, o legitima. Claro, essa concepção está muito ligada à morte, é seu lado necrofílico, e valoriza o passado enquanto produz uma injunção, uma moral ao invés de um prazer. Isso se reflete muito bem a noção de: “lembrar de memória”. Este é o arquivo do papai.

O modelo administrativo aproxima-se do modelo arqueológico. Trata-se de valorizar o passado, “nossa memória comum” numa lógica patrimonial, muitas vezes nacionalista e, por que não?, homonacionalista. Ele impacta a forma de gestão dos objetos recebidos daqueles que se tornam doadores ao longo da vida, impõe formulários de doação. Doações espoliadas com uma codificação legal com as histórias de propriedades e às vezes dinheiro. Ele regula as operações de coleta e triagem. Este é o modelo dos arquivos institucionais verticalistas. Este é o arquivo do papai, do ‘papaitrimônio’. Ao dar devidamente os arquivos, obedece-se aos arcontes, aos especialistas oficiais, muitas vezes delega-se ao Estado seu poder arquivístico pessoal e político.

O terceiro modelo é o do arquivo vivo. Vívido, produtivo, performativo. É um pouco o nosso em Paris, Lyon, Marselha. Ele gera uma promessa arquivística muito diferente e de doadores muito menos passivos. Com este modelo, quando falamos de arquivos, falamos de futuro. Porque a promessa é intervir no corte do arquivo: lá, agora, de acordo com as nossas necessidades e do nosso passado. Pelo que sabemos sobre as invisibilizações e visibilizações a que fomos submetidos. Todo o século XIX e grande parte do século XX visibilizaram os invertidos, homossexuais e racializados por meio do discurso médico e jurídico, patologizando e criminalizando pessoas trans e prostitutas. Auguste Ambroise Tardieu conhecia bem a anatomia dos sodomitas passivos. É a história da violência, mas há outra coisa a fazer do que apenas caçar os vestígios da violência, as histórias escondidas nos arquivos da polícia, justiça, psiquiatria. O objetivo dos arquivos do Estado era nos monitorar, produzir nossas identidades e os saberes sobre nós. Digo isso porque esse é o discurso que representantes dos arquivos nacionais fizeram sobre nós nas reuniões do coletivo com o prefeito de Paris no ano passado. Você tem a polícia, você tem a psiquiatria, muito obrigado. Então, é claro, é difícil arquivar as lacunas e os silêncios, e esse é todo o problema do arquivo das minorias, dos sem-voz, dos subalternizados. Poderíamos responder com ficção. Monique Wittig escreveu: “Você diz que não há palavras para descrever este tempo. Você diz que elas não existem. Mas lembre-se, faça um esforço para lembrar ou, se falhar, invente”. Cheryl Dunye, diretora negra americana, fez esse filme [The Watermelon Woman, 1996] onde entendemos no final que a mulher melancia que ela descreve dos arquivos que fez no filme nunca existiu porque justamente, mesmo que uma atriz negra americana tivesse existido em Hollywood na década de 1930, não haveria vestígios disso. Invente! O arquivo sempre está incompleto, mas essa incompletude nos pertence. As operações a que o arquivo deve ser submetido para existir, e que moldam o seu e o nosso futuro, são mascaradas ou confiscadas pelos arcontes, os especialistas oficiais do arquivo. Mas podemos nos separar dos arquivos oficiais, nobres, e de seus usos e envolver outros atores nisso. Devemos, portanto, nos perguntar o que faz um arquivo e quem faz o arquivo. A resposta é simples: nós somos os arquivos, somos nós. Nós somos pastas de arquivos. Somos as fontes diversas e variadas, temáticas de arquivos que desejamos trazer à tona. Todos somos possivelmente arquivos vivos. E é disso que eles querem nos despojar.

Num segundo momento, vou dar uma breve visão do que gera o arquivo vivo, performativo dos ‘arquivivistas’, do que é a práxis queer e transfeminista do arquivo. Digo práxis porque ela designa essa maneira de não separar e fazer funcionar junto. Práticas, teorias, saberes e experiências. E vou fazê-lo de uma forma muito material, para não dizer materialista, a partir da experiência gerada justamente de um ano de trabalho com o coletivo Arquivos LGBTQI+ em Paris, ainda uma vez ligado a Marselha, Lyon etc. Com memórias minoritárias, memórias das sexualidades. Não é em absoluto um projeto parisiense. Para começar, quero destacar o fato de que gerenciamos oficinas. Portanto, uma forma coletiva e subjetiva de produzir saberes e práticas. E tomadas de consciência dignas das oficinas feministas da Consciousness-Raising dos anos 70 ou oficinas drag kings ou pós-pornô. A oficina arquivo consiste em abrir caixas de arquivo juntos, aprendendo os rudimentos das classificações profissionais com arquivos profissionais, por que não? Ao colocar as mãos no arquivo, as emoções que isso provoca coletivamente te afastam muito rapidamente das injunções de dar seus arquivos a luvas brancas ou abandoná-los apenas para historiadores que têm essa concepção passadista e empoeirada do arquivo. Por mais que não excluamos objetos, por exemplo. Idem para indexação. Nós podemos indexar. Cabe a nós fazer isso. O thésaurus, o queersaurus. Se você vai a uma biblioteca, mesmo a Nacional, em Paris, às vezes você nem tem o index “Feminista” ou “Lésbica”. Talvez precisemos ter as palavras-chave certas para encontrar as coisas. E arquivamos melhor do que arquivos caretas. Porque, novamente, podemos fazer oficinas onde geramos palavras-chave. Arquivos também são corpos vivos, e não apenas autorizações para depósitos ou convenções de doações. É o fato de acionar arquivos escritos, orais, sonoros, gravados a priori para colocá-los em circulação. Não se trata apenas de fazer alguma história oral como complemento. E você verá o porquê imediatamente, vendo como ‘arquivatores’ queer e transfeministas têm uma visão diferente das narrativas e histórias de vida. Pelo menos de duas maneiras. Eles os veem, por um lado, como um dispositivo e, por outro, como uma performance. Eles reúnem: políticas de saber, testemunho e atuação. Sua política de entrevista, por exemplo, é diferente. O arquivo oral não precisa necessariamente alimentar a história oral. Você sabe que o arquivo oral consiste na coleta de entrevistas orais. Mas é preciso lembrar que uma entrevista também é um dispositivo de conhecimento-poder, um dispositivo de produção de verdade e valor. Isso, portanto, coloca mais amplamente o problema da produção da verdade histórica a partir de arquivos por historiadores e sociólogos. Da proximidade da entrevista com um dispositivo de declaração ou mesmo de confissão. A questão também dos afetos mobilizados: confiança / desconfiança. A questão das operações da discursividade científica legítima, reconhecida, questionada, cruzada, interrogada, analisada. A questão da autoridade hermenêutica, o poder da interpretação. Você tem que dobrar a história / confissão decifrando o que está sendo dito? Aquele que coleta é, afinal, o mestre supremo da verdade. Aqui, estou falando sobre a visão ligeiramente clássica. E muitas vezes, aliás, ele desaparece assim que a coleta de dados é concluída. Os sociólogos que vão fazer as perguntas às pessoas, depois, se tornam fantasmas. Eles são fantasmas. Em relação à questão do valor e da valorização, existem pelo menos dois níveis. Há o valor que a entrevista gera, e para quem, quem se beneficia com a entrevista.

Quando vemos os dispositivos de pesquisa positivista, científica e individualizante, o crédito ou a mais-valia cabe ao pesquisador que assina um artigo ou um livro. Não aos entrevistados. Há também a questão da valorização no sentido arquivístico. Ou seja, o grau de valor dos arquivos. A questão é como os arquivos emergem das instituições ou espaços de armazenamento, tendo em conta que a recirculação é muitas vezes reservada aos investigadores. Tudo isso aponta para uma análise mais ampla, que eu não teria tempo de fazer hoje, da cadeia de produção do arquivo e da divisão de trabalho associada. Tradicionalmente, o par entrevistado / entrevistador é muito desigual, até mesmo por gênero. O pesquisador considera a entrevista como seu campo, uma metáfora militar que usei para isso, aquele que está conquistando a verdade histórica. No arquivo oral, o arquivo vivo, quem controla é o entrevistado. Não decorporalizamos, não textualizamos. Vamos levar em conta a natureza corporal, comunicacional e performativa da narrativa, da história. O entrevistado não é privado do poder do arquivo, da sua história, da sua autonarração. Nós tomamos o pulso do arquivo. Não restringimos o poder do arquivo no lado arquivado / arquivante. O objetivo é o arquivo oral como empoderamento. Trata-se de recolher as vozes da história. É sobre não perder a voz, o grão da narrativa. É resistir à decorporalização do arquivo e do campo. A voz, o corpo da história desaparecem das transcrições dos especialistas em arquivos em geral, e em particular dos historiadores necrófilos que lidam com os arquivos dos mortos. As narrativas, as histórias de vida tornam-se um momento comunicacional, cultural, político que vai muito além da entrevista e da conversa. Longe, muito distante da forma de investigação que, aliás, também marcou tanto nossa história de violência e invisibilidade, mas não voltarei a ela. Tudo isso, portanto, para contrariar os fenômenos de espoliações e violências arquivísticas que evoquei para começar. Afastando-se, então, da cadeia arquivística, aliás muito apropriadamente chamada de cadeia arquivística, para ligá-la em loop e transformá-la em circuito cultural.

Agora chego ao papel que a performance pode desempenhar nisso. E vou terminar com isso. A performance que todas e todos vocês conhecem como forma artivista e também a performance que alimenta uma concepção performática do arquivo, o arquivo vivo, autoriza outras formas de re-presença e recirculação. Não tenho tempo para repassar a diferença que podemos fazer entre o regime de representação clássica e a re-presença e recirculação, mas podemos conversar sobre isso. A visão tradicional do arquivo, como vimos, gera expropriação, verticalidade, dever. Sem prazer, sem empoderamento. Por exemplo, vemos os velhos ou os antigos e dizemos a eles, repentinamente: “Vocês são preciosos”. Pedimos que transmitam aos jovens, nós os colocamos no trabalho de pedagogia e de dever da memória. E, por falar nisso, escolhemos uma subjetividade para eles. Porque não é a mesma coisa ser codificado como transmissor, mas como ‘arquivivista’ que pode implantar suas próprias ‘arquivações’, seus próprios centros e fundos de arquivo onde co-construir o arquivo. Digo isso porque, na França, nós realmente os consideramos doadores à beira da morte e então havia todo esse tema da emergência com a AIDS, o filme da Act Up etc. Mas mesmo os projetos de histórias orais da Shoah ofereceram um enriquecimento, um empoderamento dos entrevistados e não a única regra do dever de memória. Na Inglaterra, por exemplo, um projeto como Reminiscence enfoca a dimensão do empoderamento pessoal e coletivo para os idosos e como apelar para eles quando não se lembram mais. Porque muitas vezes a gente vai ver os velhos e diz: “anda logo enquanto você se lembra…”, mas e quando você não lembra? É aqui que fica interessante também. Como você lida com alguém que recupera sua memória se tiver Alzheimer? Etc. Porque se pegarmos apenas os idosos produtivos, você vê um pouco o modelo que temos dos objetos arquivados. Tudo isso para evitar uma concepção capacitista e produtiva da memória e do corpo dos idosos. O arquivo, o autoarquivo, é portanto um processo social e cultural e é a forma como é disciplinado que devemos olhar e contrapor.

Vou terminar com isso. Temos um projeto de arquivo financiado por instituições na França, um projeto de 10.000 euros, e decidimos iniciar nosso primeiro projeto de arquivo oral com o arquivo das trabalhadoras do sexo. As putas. Então trabalhamos muito na co-construção do projeto de arquivo. E aí vou voltar um pouco a um festival que aconteceu em novembro, que se chama SNAP, e que foi o primeiro festival de trabalhadoras e trabalhadores do sexo realizado em Paris. O subtítulo é interessante porque tratava justamente da palavra “narrativa”, do poder da narrativa e da relação entre arte e política. E assim, quando trabalhamos, consideramos a relação entre a pessoa entrevistada e a pessoa que entrevista de forma diferente, como um dispositivo de comunicação. E este já é um nível performativo em si, mas também tentamos trazer à tona as relações de poder subjacentes nas entrevistas. Nesse festival, houve um espetáculo de Matthieu Hocquemiller intitulado Le corps du roi [O corpo do rei], que foi muito interessante porque retomava toda a alegoria da realeza e a soberania individualista da era moderna. Foi um diálogo entre Mimi, que é uma artista performática refugiada política, ativista trans e trabalhadora do sexo que trabalhava na realeza tailandesa, em diálogo com Mathieu, que é performer, e ambos trocam sobre a performance, mas também sobre o corpo do rei. Você conhece o famoso trabalho de Kantorowicz sobre o rei. E ambos desviam e criticam a força performativa da soberania hobbesiana, que ainda é nosso modo de democracia liberal. Se Spinoza tivesse vencido, não estaríamos exatamente lá. E, ao mesmo tempo, falam sobre sua performance de gênero como bicha e como trans. E então, eles têm um diálogo também, eles conversam entre si. Na verdade, não verbalmente. São legendas projetadas em segundo plano. Parece a entrevista perfeita, se você quiser. E então tem todo um jogo com a insígnia do poder, é engraçado.

Termino com outra performance. O que obviamente interessa também aos ‘arquivatores’ queer e transfeministas é a performance como prática artivística, porque, é claro, também é um meio para as pessoas preocupadas desprivatizarem e divulgarem suas narrativas, suas histórias de vida. Porque, assim, invisibilizam a dimensão coletiva apagada pela entrevista doméstica individualizante. Afinal, as entrevistas são sempre em locais fechados. E aí você tem um bom exemplo dessa dimensão política e coletiva quando se trata de histórias de vida, especialmente de ativistas. Porque uma vida de ativista é sempre política. Não mais do que outros, mas ela é. E aí você tem uma performance cruzada que aconteceu no SNAP, entre Juan e Kory que recontam suas trajetórias como trabalhadores do sexo migrantes da Colômbia, de Juan, e da Venezuela, de Kory. Juan deixou a Colômbia; se tivesse ficado, agora como ativista trans já teria morrido e como soropositivo já teria morrido. Porque ele não teria acesso aos medicamentos certos. Tudo isso para dizer que com esses poucos exemplos, tem-se a impressão de presenciar a produção de uma nova memória. Ou seja, a performance produz mais do que mantém a memória viva. Ela é um arquivo vivo que oferece uma forma de lembrar, o fato de lembrar. Ativo, engajado e engajador. Certos dispositivos de performance, de espetáculo permitem, portanto, uma reiteração, uma recirculação de histórias e narrativas. Aqui temos um modelo de autoarquivo facilmente reproduzível. É por isso que é muito interessante, porque não está vinculado a meios econômicos.

E aqui vou terminar falando sobre dispositivos de performance. Por exemplo: você faz um show performático baseado em histórias orais ou histórias de vida em turnê. Havia um projeto de memória da classe trabalhadora nos Estados Unidos em 1998, Like a family, organizado por Della Pollock, que coletou histórias orais de catadores de algodão na Carolina do Norte. Ela então o transformou em um show que girou em torno e gerou outras histórias etc. Ou ainda o Sexshine, que é um projeto colaborativo de Hard Story na Escócia, uma coletânea de vidas e arquivos orais LGBT que foram colocados no palco com o teatro 7.84. E aí, o projeto gerou oficinas de performance e teatro onde as pessoas que tomam os depoimentos orais trabalham para incorporá-los em um espetáculo. Mais uma vez, todos esses projetos tornam o remembering um processo ativo em vez de memória. Eu farei a tradução para o francês; trata-se, então, da tradução de eventos que são lembrados subjetivamente nos atos de memórias incorporados. A ideia é ir da memória, não sei traduzir para o francês, para a rememoração. E é isso que torna a representação da memória viva em uma performance pública. Isso provoca coisas. Eu poderia ter chamado minha conferência: Como fazer arquivos com histórias orais.

Conferência de Sam Bourcier publicada em Trou Noir, em fevereiro de 2020. Disponível em: <http://www.trounoir.org/?La-fievre-des-archives>.

Tradução: Luiz Morando.

Leia a conferência que Sam Bourcier fez no Colóquio Internacional sobre as Perspectivas de Gênero e Sexualidade - GeSex#1, em Valência, na Espanha, em 2018. Ele abordou um projeto para a criação de arquivos vivos, livres de seus especialistas, de sua polícia, de sua necrofilia.

[i] Trata-se do livro Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Quem tiver interesse, ele está disponível em pdf neste endereço: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/130871/mod_resource/content/1/derrida_jaqcues-_mal_de_arquivo_-_uma_impressc3a3o_freudiana.pdf>.

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