Cis/Trans: algumas considerações linguísticas

Como resultado do artigo sobre liberdade de expressão e discurso de ódio publicado na Pikara Magazine[i] no verão passado, recebi mensagens de amigas de ambos os lados (tenho amigas – e inimigas, infelizmente – em ambos os lados do debate e, sobretudo, no meio, que é o mais largo e onde cabem mais pessoas). É surpreendente que todas aquelas que são muito claras sobre sua posição de um lado ou do outro sempre considerem que são “as outras”, as do outro lado, que têm mais e melhores meios para divulgar sua mensagem e seu ponto de vista; que “as outras” são as menos respeitosas, as mais violentas na discussão e as menos rigorosas na análise. No que se refere ao conteúdo, uma das questões em disputa é a conveniência de usar a terminologia que distingue cis / trans. O que se segue é uma reflexão sobre essa terminologia.

1Sigo Násara نصرة @SahrawiFeminist no Twitter. Há algumas semanas, ela escreveu o seguinte em sua conta: “(…) Vou explicar por que nos denominam ‘Cis’. Somos chamadas assim porque nascer mulher e ajustar-se ao espartilho da feminilidade é considerado um privilégio”. Em seguida, ela tece um fio que relaciona as restrições, limitações, proibições, medos, tabus e exclusões em que foi educada e socializada durante a infância e juventude no campo de refugiados saharaui onde nasceu. E termina concluindo, entre outras coisas: “Dito tudo isso, não me chame de ‘Cis’, não romantize a feminilidade que me foi imposta desde que me conheço por gente e os danos que ela me fez e continua a fazer. Não me impeça de lutar contra o gênero porque conheço em primeira mão suas consequências para as mulheres.”

Na mesma linha, uma das amigas que me escreveu depois do artigo sobre liberdade de expressão me disse que nós, feministas, não podemos ser cis porque lutamos contra a imposição de gênero. Para ela, portanto, como para Násara @SahrawiFeminista, ser cis é aceitar (ou não lutar contra) a imposição de gênero. Deixo para outro momento a questão de se deveríamos “abolir” o gênero como esta amiga e muitas outras feministas propõem ou “lutar contra ele”, como Násara @SahrawiFeminista deseja, ou se é melhor “desfazê-lo” (como afirma Judith Butler no título de um de seus livros), em que consistiria cada uma dessas ações (abolir, lutar contra, desfazer) e em que medida as coisas são divergentes, diferentes, complementares ou… até iguais? (Bem, isso seria bom!).

A Wikipedia nos informa o seguinte: “Cisgênero (abreviado como cis) é um neologismo e tecnicismo de origem alemã típico do campo interdisciplinar dos estudos de gênero, termo que se utiliza para se referir a indivíduos cuja identidade de gênero coincide com seu fenótipo sexual. O oposto de cisgênero é denominado transgênero. O neologismo foi introduzido em 1991 pelo psiquiatra e sexólogo alemão Volkmar Sigusch”. Em seguida, alude-se a algumas das voltas e reviravoltas em que podemos entrar se considerarmos a diferença entre cisgênero e cissexual, paralela àquela entre transexual e transgênero. Mas também colocamos isso de lado agora.

Desta vez, quero ir apenas para a distinção cis / trans. É verdade que alguns de nós não gostam do que entendemos como excesso de referência à (nossa) condição cis. Ainda temos um problema político e de privilégios, não descarto. Entre aquelas às quais não gostamos de aludir permanentemente a distinção entre mulheres ou pessoas cis e trans, há algumas (entre as quais já não me considero) que são especialmente mal nomeadas (ou adjetivadas, veremos mais tarde) como cis e apontam uma série de objeções, na linha das mencionadas acima. O tópico de Násara @SahrawiFeminist destaca esse incômodo ou desacordo com o uso repetido do prefixo cis. Na verdade, acho que, mais do que discordância, é um incômodo que, como todos os incômodos, é difícil de especificar e objetivar, mas que se apresenta como um desacordo teórico, penso de forma um tanto forçada. Vejamos.

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Sabe-se que o prefixo cis significa em latim “do lado de cá”, o oposto de trans, que seria “do outro lado”. Assim, por exemplo, pode-se falar do cismundano para se referir ao que se passa neste mundo, em oposição ao transmundano, que aconteceria além. Mas acho que a razão para usar essa terminologia não tem a ver com os significados das palavras (com a semântica), mas com suas relações estruturais (com a sintaxe). Especificamente, com a distinção que é feita na linguística entre termos “marcados” e “não marcados”. De acordo com essa distinção, o “não marcado” refere-se aos referentes extralinguísticos mais abundantes de um termo; seria o geral, a regra que pode (e geralmente) ter exceções. O “marcado”, por outro lado, refere-se ao particular, ao que não é abundante, à exceção que confirma a regra. Por exemplo: se em nosso discurso usual dizemos “homens” por um lado e “homens negros” por outro, mostramos que o referente extralinguístico do termo “não marcado” (homens) são na verdade homens brancos, e que para se referir a homens negros é preciso especificá-lo, ou seja, “marcá-lo” na língua com um adjetivo que especifique de quais homens estamos falando.

Da mesma forma, se dissermos “mulheres” por um lado e “mulheres trans” por outro, fica claro que as mulheres trans não estão, de fato, incluídas na categoria de mulheres (sem marca). Por outro lado, quando falamos de “mulheres cis” de um lado e de “mulheres trans” de outro, estamos entendendo e sugerindo que a categoria mulheres (sem marca linguística) deve incluir ambas, e se quisermos nos referir apenas a umas ou apenas a outras, temos que marcar o substantivo mulher em ambos os casos: mulheres cis e mulheres trans. Dessa forma, mulher trans não é mais o termo marcado e é sintaticamente equiparada a mulher cis. Isso significa que mulheres – sem marca – inclui (deve incluir) os dois tipos de mulheres.

Embora geralmente não esteja explícito, essa é a abordagem de uma das partes na disputa feminista; a outra parte não aceita porque quer dizer que ou as mulheres trans não são mulheres “verdadeiras”, ou que as mulheres trans são apenas isso, mulheres trans, mas não apenas mulheres. Não querer usar a marca cis implica manter a trans como uma marca de exceção ou minoria, que, por outro lado, não deixa de responder à realidade, haja vista que as mulheres trans são, efetivamente, uma minoria dentro da categoria das mulheres (tal qual os homens).

Como se pode ver, o conceito de “não marcado” em linguística é muito semelhante ao de “padrão” (usado em ciência da computação e outros campos). Manifesta-se quando alguém nos diz, por exemplo: “Vi um homem ao longe” e automaticamente pensamos, sem nos darmos conta, num homem branco, assumindo implicitamente que se quem foi visto fosse um negro, com certeza ele teria nos dito “Vi um homem negro à distância”. Esse automatismo é produto de um viés racista semelhante em forma ao viés androcêntrico. Embora também aconteça que o que imaginamos por padrão sem nos darmos conta quando ouvimos um nome comum sem adjetivos (“homem”) é altamente condicionado pelo contexto: não é o mesmo se quem emite e/ou quem recebe a mensagem (“Vi um homem ao longe”) é uma pessoa branca ou uma pessoa negra; a referência que vem à mente também varia dependendo se a frase é dita e ouvida no Harlem, ou em uma vila da Sibéria ou em uma cidade da África Central.

Distinguir cis e trans habitualmente evita o efeito do salto semântico que as linguistas feministas têm visto e denunciado no uso do masculino gramatical como genérico. No caso em questão, o salto semântico ocorreria se fossem ditas coisas como “as mulheres têm muitas desvantagens nas sociedades patriarcais; na verdade, quando chegam à menopausa…”. Se concedermos o benefício da dúvida (coisa que sempre fazemos para que ocorra o salto semântico) de que a primeira alusão às mulheres inclui tanto as mulheres cis quanto as mulheres trans, com a menção à menopausa (pela qual só passam mulheres cis) é revelado que o referente oculto de mulheres era apenas as mulheres cis.

Usar o genérico de forma (supostamente) inclusiva tem alguns outros defeitos: invisibiliza quem nomeia os termos marcados, que são sempre grupos humanos sujeitos a algum tipo de discriminação ou subordinação. O feminismo teve que denunciar que o substantivo “homem”, quando pretendia ser sinônimo de humanidade, funcionava como um termo não marcado de um par androcêntrico (homem-mulher) que invisibilizava as mulheres.

No entanto, apesar de tudo o que foi exposto e ciente de que existem todas essas razões, não acho que devamos deixar de dizer frases como a anterior sobre a menopausa ou que devamos deixar de nos referir a coisas como “a história das mulheres” porque aparentemente é mais correto contar a “história das mulheres cis”. Como tentei explicar, não tenho dúvidas de que existe um fundamento teórico para usar essa terminologia (binária e dicotômica onde existem, a propósito). Mas não acho que devemos usá-la sempre e de forma sistemática. Acho que é mais transformador no longo prazo e mais justo para com todas as mulheres no curto prazo ser capaz de modificar a referência extralinguística dos termos não marcados “mulher” ou “homem” de maneira que se algo como “as mulheres durante a menopausa…” sirva com um parêntese (ou, na comunicação verbal, com um esclarecimento na hora) do tipo: “Obviamente, neste ponto estamos nos referindo a mulheres cis”.

Acredito que usar a distinção cis / trans apenas ocasionalmente quando necessário e não sistematicamente pode contribuir para que o discurso feminista seja compreendido por todes e não apenas pelas iniciadas. E também acredito que este último, para ser entendido por ainda mais gente, é uma necessidade urgente do feminismo neste momento.

Tenhamos em mente que na distinção cis / trans não há (como no caso do androcentrismo homem / mulher) dois substantivos, mas há apenas um, “mulheres”, que é adjetivado com cis ou trans. Não é uma diferença menor. Isso está relacionado ao fato de que as mulheres não são uma minoria (embora muitas vezes sejam tratadas como tal), mas metade da humanidade. Menos ainda são as mulheres um tipo específico de “homem”. Não cabe ampliar os referentes extralinguísticos de “homem” para incluir as mulheres: devemos falar sobre pessoas ou seres humanos. Por outro lado, com o substantivo “mulheres”, se temos insistido que as mulheres são plurais, diversas e heterogêneas, aceitemos que essa enorme pluralidade de modos de ser mulher inclui as mulheres trans.

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Mas o que foi dito até agora não constitui a explicação de por que algumas feministas tendem a usar sistematicamente a dicotomia cis / trans, enquanto outras parecem ter urticária. Para entender por que isso acontece, por que algumas o usam com gosto e outras o evitam obstinadamente, devemos levar em conta as conotações de seu uso e sua recusa.

É evidente que cada corrente feminista tende a usar um vocabulário e não outro. O tipo de vocabulário que cada corrente feminista utiliza nos dá uma pista sobre as concepções que subscreve. As descrições do mundo falam tanto do mundo descrito quanto de quem faz a descrição. É algo que não acontece só no feminismo; todo grupo social usa um vocabulário que o identifica como tal. Através do uso da linguagem, mostramos a qual tribo pertencemos (ou a qual tribo queremos pertencer: usar uma determinada linguagem pode ser uma forma de ganhar mérito para ser admitido naquele grupo). Assim como mostramos nossa adesão a um grupo ou subgrupo social, também pela linguagem nos diferenciamos dos demais. Quando recorremos sistematicamente à terminologia cis / trans, proclamamos nossa adesão a certa vertente, a certa subcultura feminista… confrontada a outra (ou outras). Da mesma forma, ao nos recusarmos a usar essa (ou outra) terminologia, desqualificando-a como “Novilíngua”, colocamo-nos em uma posição feminista muito específica. Mas não só isso: também protestamos contra o estabelecimento (“imposição”, alguns dirão) de alguns termos do debate que não aceitamos porque “sobre o que vamos discutir” não está desvinculado de “em que termos vamos fazer isso” (terrorismo ou conflito armado?). Thomas Szasz colocou isso claramente em El segundo pecado: “No reino animal, a regra é: coma ou seja comido; no reino humano: definir ou ser definido”, por isso “o primeiro a falar impõe a realidade ao outro”.

Não gosto de falar “Novilíngua” porque isso me colocaria em um lado onde não quero nem posso me colocar, mas não negarei que compartilho da preocupação daqueles que usam esse conceito de George Orwell. Quer dizer: também não me sinto confortável do outro lado (e, acima de tudo, incomoda-me o fato de haver lados no feminismo). Como já indiquei, acho muito preocupante a proliferação, nos últimos anos, de jargões incompreensíveis no feminismo, de terminologias críticas adequadas apenas para iniciados. O feminismo deve ser compreendido pela maioria das pessoas. Mas toda essa questão da linguagem feminista é objeto de outra reflexão. No que diz respeito ao uso da distinção cis / trans, acho que nós, feministas, deveríamos usá-la, mas não torná-la uma marca de adesão a qualquer lado em qualquer guerra entre nós. Por isso, convém usá-la quando vem à mente e não de forma sistemática.

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Por outro lado, é uma trivialidade constatar que as pessoas pertencentes ao coletivo trans discordam no tratamento linguístico (e, portanto, ontológico e político) que deve ser dado à sua condição (assim como discordamos do cis ou de qualquer outro grupo humano). Para algumas delas, é conveniente substanciar literalmente, ou seja, tratar como substantivo (com um nome ou substantivo) sua condição de pessoa transexual ou transgênero, abandonando a condição de adjetivo que o termo “trans” costuma ter em uso corrente. Podemos fazer assim ou não, mas devemos saber que o que fazemos nesse campo não é desprovido de consequências e, sobretudo, revela nossas concepções sobre a questão de sexo / gênero, central para o feminismo.

Quando falamos de mulheres (ou homens) trans e cis, estamos falando de um tipo de mulheres (ou homens); nessa forma linguística, o substantivo (o que tem substância) é ser mulher e a característica de ser trans é uma condição adjetiva, formalmente igual à condição de cis (poder-se-ia dizer: apenas formalmente igual). É a posição de quem diz das mulheres trans: “são mulheres, ponto final”. Por outro lado, se deixarmos de usar as palavras trans, transexual ou transgênero como adjetivos e as usarmos como nomes, substanciamos o fato de ser trans[ii]. Quando falamos “das trans” ou “dos trans”, estamos concebendo as coisas de maneira diferente[iii]. Estamos reconhecendo grandes diferenças entre ser mulher de uma forma e de outra, entre ser mulher cis ou ser mulher trans. Na verdade, estamos adotando uma ontologia segundo a qual no mundo haveria, ao contrário, mulheres, homens e trans (mulheres cis, homens cis e pessoas trans)[iv]. Estaríamos dando um peso ontológico (ao qual, insisto, sempre está associada certa concepção política) ao fato de ser uma ou outra (cis ou trans), separando ao invés de fundir conceitualmente mulheres cis e mulheres trans. Estaríamos, de alguma forma, supondo (alguns dirão “reconhecendo”) que as pessoas trans não são mulheres (ou homens) “e ponto”, mas que são uma forma muito específica e particular de ser mulheres (ou homens); tanto que ser mulher cis e ser mulher trans deixam de ser modalidades da mesma coisa e passam a ser concebidos como coisas diferentes: substâncias diferentes às quais correspondem substantivos diferentes.

Essa forma de abordar a questão difere do que levantei acima. De acordo com essa proposta, ao invés de marcar os substantivos mulher e homem o tempo todo, especificando sistematicamente se estamos falando de mulheres (ou homens) cis ou trans, o que se deve fazer é redefinir o conteúdo semântico de “mulher” (ou “homem”) de modo que o referente desses substantivos não sejam apenas pessoas cis. Não escondo que pessoalmente tenho dúvidas sobre a forma mais adequada de tratar o assunto. Outras questões que se cruzam com o aqui analisado, e que extrapolam essa reflexão linguística, devem ser levadas em consideração, como o da passabilidade[v] de pessoas trans. O que não tenho dúvidas é que deve haver um lugar no feminismo para essa discussão. É uma discussão, obviamente, que não pode ocorrer sem a participação de feministas trans (nota: feministas trans não são todas transfeministas, nem necessariamente subscrevem obrigatoriamente alguma versão da teoria queer).

Acho que devemos tomar como ponto de partida a constatação de que se trata de algo muito complexo, mas também muito delicado. Por isso, é necessário evitar linchamentos e rasgos de roupas. Não podemos ser insensíveis (por exemplo, diante do sofrimento ou ansiedade dos outros), mas não podemos também mostrar uma suscetibilidade hipersensível que censura a discrepância ou reprova o desconhecimento e fecha a discussão antes de iniciá-la. Um pouco de empatia, boa-fé e do famoso cuidado deveriam ser suficientes para se inserir em uma questão labiríntica onde elas existem. De minha parte, saliento que, diante dos diversos transfeminismos e trans ou pós-humanismos, a saída do labirinto está na reconstrução do humanismo, tão maltratado nos últimos tempos. Digo isso convencida, é claro, de que o feminismo é um humanismo. E que os direitos das mulheres e os direitos trans são, todos, direitos humanos que as feministas devem defender.

Artigo de Teresa Maldonado publicado em 7 de outubro de 2020 na revista eletrônica Pikara online magazine. Disponível em: https://www.pikaramagazine.com/2020/10/cistrans-algunas-consideraciones-linguisticas/.

Tradução: Luiz Morando.

[i] Artigo publicado em 8 de julho de 2020. Cf. em: https://www.pikaramagazine.com/2020/07/opiniones-y-derechos-fundamentales-en-los-debates-y-en-las-broncas-feministas/.

[ii] Creio que assim se possa compreender, em parte, o que Miquel Misé suscita no livro A la conquista del cuerpo equivocado, publicado pela Egales.

[iii] Outras prefeririam dizer “les trans”, com o qual discordo, embora não vá entrar no tema aqui. O que deve ser tratado com mais precisão é a questão linguística da substantivação de adjetivos. Segundo a RAE, mãe é um substantivo e lésbica é um adjetivo. Porém, assim como podemos fazer frases em que mãe é sujeito (“as mães do grupo levantaram-se com raiva”), com lésbica podemos fazer a mesma operação (“de manhã, as lésbicas sempre se levantam felizes”). Neste último exemplo, como em qualquer outro que poderíamos incluir, digamos, “feministas” (outro adjetivo, segundo a RAE), o que aconteceu é uma elipse do nome adjetivado: estaríamos falando de mulheres lésbicas (e / ou feministas), mas apenas o substantivo mulheres seria elidido. A elipse do nome é um processo sintático, enquanto a própria substantivação é um processo lexical. Não deixa de ser interessante observar que para a língua (ou para a Academia) mãe tem substância por si mesmo (e não é um adjetivo, não denota uma qualidade ou possível atributo do substantivo mulher), enquanto feminista, lésbica, transexual ou jovem são adjetivos, ou seja, não têm entidade própria, são formas nas quais cabe ser mulher, aludem a classes, tipos de mulheres. Em outras palavras: “mãe” ou “mulher” responderiam à pergunta o que sou?, e “feminista”, “lésbica”, “transexual” ou “jovem” responderiam a como sou? ou que tipo de mulher eu sou?

[iv] Ontologia e ética são partes da Filosofia. Assim como a ética estuda o “dever ser”, a ontologia trata do “ser”, do que existe. Podemos adotar diferentes ontologias; para dizê-lo com o exemplo gráfico do filósofo Ulises Moulines: é tão correto dizer que dentro de uma gaveta há tesouras e botões, como dizer que há partículas elementares que se movem em campos eletromagnéticos. Celia Amorós explicou que toda ontologia pressupõe e implica uma teoria política e uma ética.

[v] A passabilidade nas pessoas trans alude ao fato de sua condição de trans ser “percebida” ou não.

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