Breve narrativa de resistência sobre Cintura Fina (1953-1959)(I)


A constituição das formas de sociabilidade dentro do universo LGBTQIA+ de Belo Horizonte é rica em estratégias, processos, parcerias e personagens como em qualquer outra capital do país. São formas muito pouco conhecidas porque ainda também muito pouco desveladas por pesquisadores/as interessados/as em se debruçar sobre o passado da capital mineira, relativamente recente e fácil de ser explorado se comparado a capitais mais antigas. Nessa história, há personagens de grande importância para a construção e consolidação de processos de sociabilidade daquele segmento: algumas dessas personagens tiveram ação bastante pontual, embora expressiva; outras atravessaram décadas e marcaram tanto a expansão daquele processo quanto o imaginário social da população de um modo geral.

Este breve texto se propõe a explorar o primeiro período em que a conhecida travesti Cintura Fina circulou em Belo Horizonte, construiu uma representatividade entre travestis e prostitutas, consolidou a fama de enfrentamento com policiais, contribuiu à sua revelia para a construção do conceito de marginalidade referido ao seu público. Nesse sentido, este resumido panorama abarcará o período entre 1953, ano da primeira aparição de Cintura Fina nos registros da imprensa e da Polícia Civil de Belo Horizonte, e 1959, quando ela vai para o Rio de Janeiro e acaba cumprindo breve pena no presídio de Ilha Grande. A base para essas informações são reportagens de jornais, os autos judiciais das ocorrências criminais nas quais Cintura se envolveu dentro do período aqui proposto e a memória de algumas poucas travestis belo-horizontinas que a conheceram quando eram jovens.

A estreia de Cintura Fina no noticiário se deu em 25 de julho de 1953 por meio do jornal vespertino Diário da Tarde, que divulgou a seguinte manchete: “Violenta agressão a gilete esta madrugada em uma pensão alegre. Autuado o ‘taradinho’, o golpe teria sido desferido por uma irregular – A vítima com profundo corte no rosto”. A ocorrência se deu em um bar da zona boêmia, na esquina de rua São Paulo com rua Guaicurus. Vindas do Hotel Nova América, Cintura Fina e a prostituta Rosa Caetana entraram no bar pouco depois da meia-noite. Em seguida, Rosa foi abordada por Paulo Neves, que já bebia no bar com colegas e lhe perguntou se o “pederasta” em sua companhia era seu amigo. Rosa respondeu que era colega de Paulo, sendo agredida com forte tapa no rosto que a derrubou no chão. Cintura tentou reagir à agressão de Paulo partindo para cima deste, mas também foi derrubada com um murro. A briga estava armada com golpes e revides; repentinamente, uma das agredidas feriu Paulo com uma navalhada profunda em uma das faces.

Este incidente é o detonador da construção da imagem pública de Cintura Fina que atravessou os tempos: aliada de prostitutas (embora outros fatos futuros apontem para uma aliança condicional), visivelmente afeminada e destemida, sempre armada com navalha. O auto de apreensão constante do inquérito descreve o objeto que provocou o ferimento assim: “instrumento de metal branco, com uma gilete adaptada, podendo servir de canivete ou de navalha, apreendido em poder de José de Arimateia Carvalho, e instrumento do delito de lesões corporais de que é vítima Paulo Neves”.

A reportagem do Diário da Tarde já contém informações que, posso afirmar, são confiáveis, pois confirmadas por outros documentos ao longo do período em que Cintura Fina circulou na cidade. Isso permite construir uma breve biografia até aquele momento: José Arimateia Carvalho da Silva nasceu em 3 de maio de 1933, em Fortaleza, no Ceará. Sua mãe faleceu após seu parto e seu pai entregou o bebê para ser criado por três tias. É seguro supor que elas tiveram dificuldade para compreender o comportamento, a postura, os desejos e as escolhas de Cintura, que desde criança era apontada como Zé Mariquinha nas ruas. Sabe-se que, interna em um seminário nessa idade, ela se apaixonou por dois primos colegas e se envolveu sexualmente com eles. Descoberta, expulsa do seminário e envergonhada, não quis voltar à casa das tias e passou a residir na zona de prostituição de Fortaleza. A própria Cintura afirmou, anos mais tarde, ter saído de casa com 14 anos por “ter-se tornado um rapaz anormal sexualmente e não querer causar vexames” à família. Daí ela foi, tempos depois, para Natal, Recife, Salvador e chegou a Belo Horizonte em maio de 1953, com 20 anos.

Na capital mineira, ela passou a atuar como cozinheira no Hotel Nova América (ainda hoje existente na rua São Paulo) e utilizava, além de Cintura Fina, outro nome para se identificar: Esther Williams (nadadora e atriz estadunidense, 1921-2013). A adoção de nomes femininos, tendo como referência atrizes hollywoodianas, já era comum antes desse período entre homens homossexuais efeminados e travestis. Isso compunha o código que permitia o reconhecimento como grupo orgânico que compartilhava determinada identidade. Em Belo Horizonte, esse hábito já era praticado na década anterior entre os homossexuais que interagiam no Paraíso das Maravilhas – território de encontro dessa população, preferencialmente noturno, em determinada área do Parque Municipal para interação sociossexual.

Entre as travestis, a adoção de nomes femininos também era comum, mas com esta particularidade: assumir dois ou até três nomes, com a intenção de ludibriar policiais ou investigadores durante rondas, batidas ou detenções. Era uma maneira engenhosa de fazer ‘multiplicar’ o número de travestis, ao mesmo tempo em que facilitava a argumentação com a autoridade, tentando negociar sua liberação em caso de reincidência: “Não, senhor, aquele dia o senhor prendeu a Cintura Fina, que é muito parecida comigo. Eu sou a Esther Williams.” e vice-versa. Mas a mesma prática era utilizada com clientes, sobretudo quando se aplicava o golpe conhecido como conto do suadouro. De toda forma, era um modo maroto, entre outros, de construir a resistência.

Mas o nome que se fixou mesmo foi Cintura Fina, ligado à letra do xote popularizado pelo cantor Luiz Gonzaga, o Gonzagão: a morena sensual, atraente, cuja cintura de pilão enlouquece os homens. Nesse sentido, a imagem divulgada na reportagem caracteriza performativamente a figura feminina que Cintura Fina encena: negra; 1,74 de altura; cabelos com corte feminino e aplicados com Glostora, uma marca de brilhantina que, conforme os anúncios da época, “amacia e assenta até o cabelo mais rebelde” (grifos do anúncio); sobrancelhas pinçadas; olhos e cabelos castanhos; faces com rouge; uso de vestido. A esse apelo feminilizante associavam-se a força física, certo grau de virilismo, a expertise para lutar e o manejo da navalha.

Essa arma branca foi a companheira inseparável de Cintura Fina e um de seus elementos metonímicos: avistar Cintura Fina trazia implícito o risco de ser anavalhado. Mas a fama de valente e o porte da navalha não sustentam sua incolumidade: quem bate também pode apanhar. Com o passar das décadas, várias cicatrizes de cortes e tiros vão tracejando seu corpo, principalmente o rosto e o tórax.

Como resultado do seu primeiro delito, Cintura Fina ficou presa preventivamente entre 28 de julho e 20 de outubro, quando foi solta por meio de habeas corpus por excesso de prazo na formação de culpa. No entanto, enquanto aguardava em liberdade o desenrolar do inquérito e posterior denúncia, em dezembro do mesmo ano Cintura se envolveu em um delito mais grave: um confronto armado com o guarda civil Sebastião Vítor Brígido. Por volta das duas horas da madrugada de 7 de dezembro de 1953, na avenida Oiapoque, ocorreu o seguinte enfrentamento:

(…) o segundo denunciado, que atende pelo sintomático apelido de Cintura Fina, e é conhecido pederasta passivo, sem qualquer razão plausível agrediu o primeiro denunciado, desferindo-lhe diversos golpes de navalha ou gilete, oportunidade em que Sebastião sacou de um revólver, fazendo dois disparos para intimidar Cintura Fina, que ainda se obstinou no ataque, até que o agredido desferiu um terceiro tiro na região pubiana do agressor, cujo projetil transfixou-lhe o corpo, saindo na região glútea, (…)

Motivação do confronto: Cintura Fina chamou o guarda de bicha, que na época era estritamente sinônimo de pederasta passivo. Resultado do confronto: ferimento a navalha no rosto de Sebastião e escoriações no corpo; em Cintura Fina, os ferimentos já mencionados e ainda escoriações. Ambos foram levados ao Pronto-Socorro, mas, mesmo tendo que responder ao inquérito detidos, o guarda civil foi liberado após curativos e Cintura Fina, depois de receber alta médica, foi encaminhada à Casa de Correção.

Para não se tornar repetitivo, embora cada delito de Cintura Fina traga novas particularidades sobre sua vida e o modus vivendi de um segmento considerado periférico de nossa sociedade, vale a pena fazer uma pequena síntese da longa ficha de antecedentes criminais dessa famosa travesti: os dois delitos já mencionados, somados a um terceiro, de fevereiro de 1957, geraram penas cujo total equivaleu a 18 meses de detenção. Ainda entre dezembro de 1954 e setembro de 1956, Cintura foi conduzida à polícia seis vezes – uma por fazer escândalo em via pública; outra pela prática de pederastia e quatro vezes por vadiagem. Porém, em maio de 1955, ela foi detida no Rio de Janeiro, trazida para BH e presa na Casa de Correção. Em maio de 1956, ela cometeu delito de lesões corporais contra um homem; em novembro do mesmo ano, foi denunciada por furto e, em fevereiro de 1957, nova denúncia de furto.

Como a barra deve ter pesado para Cintura Fina, ela fugiu novamente para o Rio de Janeiro. Em 10 de março de 1959, um investigador informou em ofício a um delegado de polícia belo-horizontino que, após diversas diligências para tentar localizar a travesti, ele “ouvira dizer” que Cintura Fina havia sido assassinada no Rio por outros malandros.

É lamentável que nossos investigadores fossem tão atarefados e não tivessem tempo para ler jornais, senão Ivan Xavier Oliveira teria lido no exemplar de 6 de dezembro de 1958 do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, que circulava amplamente na capital mineira, uma notícia muito curiosa. O repórter policial Amado Ribeiro havia publicado uma pequena série de três reportagens sobre a vida lastimável e as condições insalubres dos presos no presídio de Ilha Grande. Em determinado trecho da última reportagem, lemos o seguinte:

Prosseguindo em nossa viagem através dos cubículos sombrios que encerram, no Presídio da Ilha Grande, centenas de aleijões sociais, atingimos a primeira galeria e, para nosso espanto, percebemos que, do alojamento n. 15, destinado a dois detentos, partia um cheiro de perfume barato, muito encontrado na zona boêmia do Mangue. O chefe de Disciplina, sr. Ênio Silveira, que nos acompanhava, informou-nos que iríamos encontrar ali o famoso invertido sexual que atende pelo nome de “Cintura Fina”. Lá estava ele, realmente. Seu nome verdadeiro é José Arimateia Carvalho, um mulato gigantesco, arruaceiro contumaz e que, no instante de nossa visita, em uma roupa leve de mulher, pintava-se a um espelho, esclarecendo-nos que preparava a toilette noturna. O cubículo que é por ele ocupado, em companhia de outro anormal, José Zeferino da Silva, mais conhecido como Aidée, é todo enfeitado com cortinas e tapetes de cores berrantes. Peças íntimas femininas achavam-se atiradas, displicentemente, sobre um toucador, enquanto Aidée preparava as camas, trajado com uma elegante calça floreada. Ambos, excessivamente pintados, revelaram que, na quinta-feira última, foram os causadores de sério distúrbio dentro da prisão, entre presos que lhes disputavam as atenções.

– Aqui, camaradas – assim explica o chefe de Disciplina – são os mais comportados e geralmente os colocamos em serviços leves, tais como cuidar da horta, lavanderia, etc. São chamados pelos demais detentos de “meninas” e gozam de uma série de regalias entre seus companheiros de prisão. (Última Hora, ano VIII, n. 3, p. 5)

Em uma longa entrevista ao jornal Estado de Minas, cedida enquanto cumpria pena de oito meses em Uberaba, publicada em 4 de abril de 1987, Cintura Fina menciona ter conhecido Madame Satã nessa temporada na Ilha Grande. Na mesma entrevista, ela nos remete a um fato que nos projetará de volta aos anos 1950:

Eu dancei no Monte Carlo, uma casa de encontro que nós usávamos ali perto da Guaicurus. Fui para a delegacia que era no Barro Preto. Lá fiquei conhecendo Luiz [Gonzaga] Baeta Neves, o Baetinha. Tivemos um caso. Mas eu saí e ele ficou. Mesmo assim eu o visitava. Entrava na delegacia, todo mundo comentava, mas não perturbavam. Um dia, quando ele saiu, ele não quis mais nada comigo. Tivemos um pega. Ele puxou uma navalha e, para defender, quebrei um espelho. Fomos brigando na Guaicurus, passamos pela rua Rio de Janeiro e terminamos na Oiapoque, quando a Guarda Civil apareceu. Mesmo assim veio homem pra caramba pra segurar. Ninguém queria entrar. Ficamos os dois marcados (mostra algumas das muitas cicatrizes que tem). Foi aí que descobri a navalha para defesa. Eu andava sempre com uma cinta de elástico e escondia a navalha ali. Era só arrumar confusão que eu rodava o fio.

Os jornais de Belo Horizonte noticiaram essa briga nas edições de 8 e 9 de outubro de 1956, mas escamotearam o motivo, alegando “questão de pouca importância”. É claro, já imaginaram a manchete ‘Paixão entre marginais’ ou ‘Tórrida paixão entre anormais’ [utilizando os termos que circulavam na época]? Baeta Neves, um temido, violento e célebre assaltante dos anos 40 e 50 na cidade, e Cintura se conheceram em 1954, quando ambos cumpriam pena na Casa de Correção, na rua Uberaba, e se tornaram amantes.

O noticiário da época menciona que o desentendimento foi brutal: iniciado o entrevero verbal, Cintura Fina pega um caco de espelho quebrado e fere profundamente Baeta Neves no rosto; seu ex-amante retira duas navalhas do bolso e, com uma em cada mão, desfere golpes consecutivos em Cintura, o que resultará em 200 pontos no Pronto-Socorro.

Apesar da “violenta cena de sangue”, dez dias depois Cintura Fina voltava às manchetes em relato de novo assalto na zona boêmia. Depois, em fevereiro de 1957, acompanhada de duas prostitutas, Cintura Fina assalta dois sujeitos. Um deles presta queixa à delegacia de plantão, o que provoca nova busca à temida travesti. Certamente por isso, ela decidiu dar um tempo no Rio, onde Amado Ribeiro a encontrou no presídio de Ilha Grande.

A esta altura, cabe fazer uma aproximação rápida com elementos referentes a duas noções contemporâneas lastreadas por Judith Butler. O primeiro aspecto deriva de uma abordagem sobre a vulnerabilidade, que ela retoma em seu livro Corpos em aliança e a política das ruas: “a vulnerabilidade não se reduz a uma particularidade ou a uma disposição episódica de um corpo distinto, mas é, na verdade, um modo de relação que repetidas vezes coloca algum aspecto dessa distinção em questão”[i]. O moto contínuo e repetitivo que orienta a vida de Cintura Fina nas ações em que ela se envolve (e isso ganha nuances novas nas décadas seguintes) coloca em destaque pelo menos dois modos de relação que ela estabelece com os campos que a cercam.

Primeiro, o modo como ela busca afirmar uma imagem de si para os outros e uma autoimagem. Abandonar o nome de atriz e adotar/aceitar o nome que se dirige ao seu corpo, que distingue seu corpo, que chama a atenção para seu corpo, adicionado à imagem da navalha, que ela traz presa ao corpo por uma cinta elástica e que, por conseguinte, se torna extensão de seu corpo – essa relação coloca em distinção um corpo diferente que não se enquadra naquele circuito social em que ela vive, e que tende a tornar esse corpo objeto de curto-circuito. Nesse ponto, vale a pena chamar a atenção para a etimologia do termo vulnerabilidade, do latim vulnera, cujos significados são: ferir; atacar, ofender; mortificar; estragar.

Segundo, o modo de relação pelo qual Cintura Fina busca apontar uma dissonância com a norma dos corpos educados, saneados, pedagogizados, sobre os quais a polícia, a imprensa, a medicina, o Judiciário exercem um cerco sanitário de proteção. Nesse enfrentamento, sustentado pela exposição de um corpo diferente dos demais, um corpo que contradiz e avança sobre o campo daqueles discursos, a própria cultura vulnerabiliza os corpos dissonantes e exerce a força contrária que impele esses corpos para as margens.

O segundo aspecto buscado em Judith Butler se relaciona à noção de precariedade, inicialmente desenvolvida em Precarious life (2004) e retomada em Quadros de guerra (2009):

A precariedade implica viver socialmente, isto é, o fato de que a vida de alguém está sempre, de alguma forma, nas mãos do outro. Isso implica estarmos expostos não somente àqueles que conhecemos, mas também àqueles que não conhecemos, isto é, dependemos das pessoas que conhecemos, das que conhecemos superficialmente e das que desconhecemos totalmente.”[ii]

A percepção de que a precariedade dos corpos, das pessoas se funda nessa rede de dependências nomináveis, semianônimas e anônimas vai ao encontro do modo de relação vulnerável que se estabelece pela dissonância com os corpos educados. Parece-me que quanto mais aquela dissonância acirra, vulnerabiliza o campo de forças que defende a pedagogia dos corpos, mais precárias as relações de dependência se constituem. Se buscarmos novamente a etimologia do termo latino, verificamos que precarius se refere a algo passageiro, mal seguro porque baseado na concessão de favor e na tomada de empréstimo – ou seja, o estado de precariedade supõe uma constante negociação que sempre gera instabilidade. Por isso, ser solidário não é propriamente uma resposta que o sistema de precariedade deseja: a manutenção de seres e corpos precários, a existência de relações precárias é necessária para manter as relações de dependência, de desigualdade e de indiferença entre pessoas e/ou grupos – a solidariedade tende a dissipar essa dependência.

Construir a resistência concerne a desenvolver meios de atuação contra a vulnerabilidade (os modos de relação que criam distinção dos corpos pela repetição) e a precariedade (a manutenção, eu diria forçosa, dos laços de dependência com todos) impostas aos corpos como algo natural. Ao que parece, e há mais elementos que apoiam isto, mas que não cabem na extensão deste texto, Cintura Fina aciona e incorpora elementos que desestabilizam determinados sistemas discursivos, tentando suspender e fazer reler a imagem da travesti no universo daquele tempo: relação inequívoca e proposital de feminilidade e virilismo; criar formas de enfrentamento ao controle policial; estabelecer rede de confiança e proteção com seus/suas iguais; construir liderança em um grupo marcado pela dispersão; não arredar pé, ao longo das décadas, do lugar que lhe impuseram como vulnerável e precário – a margem.

Texto de Luiz Morando.


[I] Texto apresentado no VIII Encontro de Pesquisa em História da UFMG, realizado entre 13 e 17/05/2019. Leitoras/es interessadas/os em conhecer mais sobre Cintura Fina podem ler MORANDO, Luiz. Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte. Uberlândia: Belo Horizonte, 2020.

[II] BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Trad. Fernanda Siqueira Miguens. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. p. 144.

[III] BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Trad. Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão e Arnaldo Marques da Cunha. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. p. 31.

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