Finalmente, um centro de arquivos LGBT em Paris?

Este é um projeto que se arrasta há vinte anos, mas que deve finalmente ter um final feliz. O Conselho de Paris votou na quinta-feira a favor da criação de um centro de arquivos LGBT na capital. Isso acabaria com uma particularidade francesa. “Todas as grandes metrópoles ocidentais têm um”, destaca Thierry Bertrand, membro do coletivo Arquivos LGBTQI.

Dentro dessa estrutura aberta ao público, que seria administrada pelo coletivo, os visitantes poderiam mergulhar, entre outras coisas, na história da luta homossexual ou nos “anos da AIDS”… Tudo isso através de livros, objetos (banners, folhetos etc.), arquivos orais ou ainda histórias pessoais.

“Podemos sentir uma nova dinâmica neste assunto, que agora parece estar construindo um consenso entre todas as autoridades envolvidas”, avalia Thierry Bertrand. Prova disso está no Conselho de Paris. Três declarações foram feitas para fazer avançar o arquivo: uma por ambientalistas; outra por iniciativa de Aurélien Véron, eleito conselheiro de Paris pelo partido Les Républicans; uma última do vice-prefeito de Paris encarregado da luta contra a discriminação, Jean-Luc Romero-Michel.

Instalações na antiga prefeitura do 1º distrito?

Um primeiro objetivo foi definido como prioritário por essas declarações: encontrar um local até o final do ano para acolher este centro de arquivos. “Estimamos que precisaríamos de pelo menos 400 a 500 metros quadrados, para ter um subsolo onde guardar os arquivos, uma sala de consulta, um ou dois escritórios e uma sala multiuso para organizar projeções, debates, receber alunos…”, especifica Thierry Bertrand.

Aurélien Véron gostaria que fosse escolhida a antiga prefeitura do 1º distrito, mas sua proximidade com o Sena parece inadequada, considera Jean-Luc Romero-Michel, devido aos fundos a preservar. “Esses arquivos não estarão necessariamente localizados no centro de Paris”, especifica o vice-prefeito, entusiasmado com a ideia de ver este antigo projeto dar certo, porque “não se constrói um futuro sem saber de onde vem”.

Uma vez encontrado o local, restará realizar os trabalhos, se necessário, e instalar o arquivo. Para isso, será preciso encontrar recursos. “A cidade de Paris desempenhará plenamente o seu papel na realização deste projeto de envergadura nacional, encontrando instalações dentro de sua área e oferecendo ao coletivo um aluguel com valor mais atrativo. Mas cada coletividade deve assumir suas responsabilidades”, insiste Jean-Luc Romero-Michel. O representante eleito de Paris faz um apelo ao Município e ao Estado.

Valérie Pécresse, a presidente de Ile-de-France, já teria respondido favoravelmente, segundo Aurélien Véron, muito envolvida para que nasça este lugar “pedagógico, de trocas, como um museu vivo”.

Já para o Estado, o coletivo tem um compromisso na próxima semana no Ministério da Cultura. Este parece querer manter o controle da gestão desses arquivos. “Portanto, faremos sem o ministério, avisa Thierry Bertrand. Esta posição é fruto de uma tradição francesa, que pretende que os arquivos sejam propriedade do Estado. Mas o Estado não sabe como fazer quando se trata de minorias.” O medo é que documentos preciosos desapareçam, pois podem não parecer importantes para um leigo.

Também será buscado financiamento privado, da fundação Bergé, por exemplo. Porque então será necessário assumir o funcionamento do site, que exigirá no mínimo três funcionários.

Artigo de Florent Hélaine publicado em Le Parisien em 4 de fevereiro de 2021. Disponível em: https://outline.com/kTvNGp.

Tradução: Luiz Morando.

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